Economia

Crescimento económico mundial está ameaçado pelo coronavírus

A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) admitiu hoje que a previsão de 3,3 por cento para o crescimento da economia mundial possa descer 0,1 ou 0,2 pontos percentuais devido à propagação do coronavírus Covid-19.

Sobre a China, a líder do FMI lembrou que o crescimento já estava a abrandar antes do vírus
Fotografia: DR

“Por enquanto, a nossa previsão é de 3,3 por cento, mas pode haver uma redução de 0,1 ou 0,2 pontos percentuais”, disse Kristalina Georgieva durante uma intervenção no Fórum Global das Mulheres, realizado hoje no Dubai.
“Este é um caso especial e peço a todos que não tirem conclusões precipitadas”, acrescentou a responsável, notando que “há muita incerteza e estes são cenários, não são projecções” do FMI.
Para Kristalina Georgieva, ainda é “muito cedo” para se conseguir estimar com alguma precisão o impacto da propagação do coronavírus Covid-19, mas deverá ter consequências mais profundas nos sectores do turismo e do transporte.
“Não conhecemos a natureza exacta deste vírus, não sabemos a que velocidade a China será capaz de contê-lo e se ele se espalhará mais pelo mundo, o que sabemos é que afectará as cadeias de valor globais”, acrescentou a directora-geral do FMI.
Na quarta-feira, Kristalina Georgieva já tinha dito à estação televisiva CNBC que o cenário mais provável passava por uma forte queda da actividade económica na China, seguida de uma rápida recuperação, tal como aconteceu durante a crise do SARS (vírus da síndrome respiratória aguda grave, responsável pela doença conhecida como gripe das aves), que matou quase 300 pessoas em 2002 e 2003.
Se a China conseguir conter a epidemia, “poderá haver uma pequena queda e uma recuperação muito rápida”, reiterou hoje, lembrando que o peso da China na economia mundial aumentou, desde então, “de oito para 19 por cento”.
Quanto ao crescimento do país, já estava a abrandar naturalmente, disse Kristalina Georgieva, sublinhando, no entanto, que “o abrandamento das tensões comerciais” entre Washington e Pequim, com a assinatura em Janeiro de um acordo comercial preliminar, tinha permitido ao FMI prever uma melhoria na sua projecção de crescimento para este ano.
O FMI tinha revelado as suas mais recentes previsões para a economia mundial em 20 de Janeiro, esperando uma recuperação de 3,3 por cento, acima dos 2,9 registados em 2019, devido, em particular, a uma pausa na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, mas o relatório ressalvava que a recuperação era ainda frágil e que a incerteza poderia abrandar a recuperação.

Tempo

Multimédia