Economia

“Crescimento médio do PIB não teve gestão e supervisão robusta”

Victorino Joaquim

Angola teve um crescimento médio anual do PIB (Produto Interno Bruto) de 9,1 por cento, entre 2006 e 2014, que não foi acompanhado por uma gestão e supervisão robusta, resultando no aumento da dívida pública, revela um estudo feito pela empresa de consultoria LBC.

Crescimento do Produto Interno Bruto não teve o efeito esperado na economia nacional
Fotografia: DR

O estudo, que incide sobre a cadeia de valor de matérias-primas minerais para construção, apresentado em Luanda, refere que na última década e meia Angola priorizou a reparação, expansão e modernização das infra-estruturas como “elemento central” da reconstrução pós-guerra civil e do desenvolvimento económico. 

O investimento foi inicialmente apoiado por um “boom” económico liderado pelo pe-tróleo, com um crescimento médio anual do PIB de 9,1 por cento entre 2006 e 2014, refere a consultora, que adianta, no entanto, ter havido pouca “robustez” no acompanhamento desse crescimento.
“No entanto, condições macroeconómicas favoráveis e financiamento abundante – apoiado por receitas do petróleo e linhas de crédito chinesas – não foram acompanhadas por uma gestão e supervisão robusta. Acresce que o financiamento em fase com o aumento do preço do petróleo resultou no aumento da dívida pública e agravou a vulnerabilidade estrutural às flutuações do preço do pe-tróleo”, diz a LBC.
Segundo a consultora, a queda do preço do petróleo nos mercados internacionais impôs um ciclo recessivo e o aumento da incerteza face ao futuro. “O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entrou em colapso em 2015 e contraiu-se ao longo dos últimos anos, situando-se em menos de 0.4 por cento no primeiro trimestre de 2019”, sublinha.
Para a LBC, a crise do preço de petróleo também deu origem a “défices duplos” nas contas fiscais e correntes de 2014 em diante.
A dívida pública duplicou ao longo dos últimos quatro anos, enquanto a inflação atingiu mais de 40 por cento em Dezembro de 2016, “ex-pondo riscos macro -financeiros significativos”, segundo o Banco Mundial, citado neste estudo.

Diversificação económica
O estudo destaca o “ambicioso programa de reformas, lançado pelo Governo, a partir de 2017, para enfrentar os desequilíbrios macroeconómicos e alcançar um crescimento sustentável e inclusivo, baseado na diversificação da economia, melhor governação e um maior protagonismo do sector privado.
“A diversificação da economia é essencial para um crescimento mais sustentável”, diz o estudo, notando que Angola é o segundo país “menos diversificado do mundo em termos de exportações (depois do Iraque)”, segundo o Banco Mundial.
A consultora sublinha que o crescimento de Angola ba-seou-se na extracção de pe-tróleo e diamantes, mas que “estes não foram geridos de forma a aumentar a riqueza do país”, apresentando Angola uma taxa de poupança ajustada negativa, algo que “mostra que o país tem sido ineficiente na conversão dos seus recursos naturais em capital produtivo”.
“Uma economia mais diversificada poderá criar emprego e gerar um crescimento mais inclusivo e assegura um melhor amortecimento da economia contra variações do preço do petróleo nos mercados internacionais”, sublinha.
Mas a LBC traça um quadro mais optimista para o país. Diz que com a “descarbonização”em curso da economia angolana é provável que o mercado do pe-tróleo se reduza, a médio prazo, e que algumas reservas nunca venham a ser exploradas. Acrescenta que, apesar do “contexto recessivo”, o potencial de diversificação da economia é elevado, pelos recursos naturais, incluindo minerais para a construção, indústria química, alimentar e outros sectores.

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