Economia

Cuba atrai investimento de Angola para zona especial

Victorino Joaquim

A Zona Especial de Desenvolvimento Mariel (ZEDM), em Cuba, está aberta ao investimento angolano, anunciou ontem, em Luanda, o director de Desenvolvimento de Negócios do Grupo Imbodex, uma empresa angolana de capitais cubanos, José Rodríguez.

Director-geral da Imbondex José Rodríguez falou para uma audiência bastante interessada
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Em conferência de imprensa consagrada às oportunidades de investimento em Cuba, o responsável cubano indicou que, no seu país, há uma Lei de Investimento Estrangeiro que está a dinamizar a atracção de capitais para a ZEDM, um parque industrial com um vasto espaço territorial infra-estruturado e de elevado nível de organização.
Além de que a ZEDM oferece facilidades e oportunidades de negócio por via da aplicação de capital estrangeiro proveniente de qualquer investidor, incluindo de empresários angolanos, “Cuba está aberta a todo tipo de investimento”, disse o director da Imbondex.
De acordo com José Rodríguez, os angolanos que decidirem investir em Cuba dispõem da opção de aplicar capitais em sectores em que aquele país dispõe de elevado “know-how”, como biotecnologia, saúde, logística e indústria alimentar ou o imobiliário e indústria petrolífera.
Os investimentos na ZEDM dependem apenas da capacidade financeira dos interessados, não havendo exigências relativas a capital mínimo ou máximo para começar o negócio e gerar bens e serviços, além de que estão garantidas condições para que cada investidor tenha retorno do capital investido. 
Apesar de Cuba enfrentar dificuldades de liquidez, José Rodríguez avançou que, em termos de legislação, existe o Decreto Lei 313/2013, um complemento da Lei do Investimento Estrangeiro que garante a protecção dos investimentos dos empresários, até mesmo contra pressões externas .
Graças a essas leis, prosseguiu, a ZEDM tem vindo a registar um aumento do número de investidores que, de 33 empresas em 2018, ascendeu para 46 no decurso deste ano, representando mais de metade do investimento directo de origem estrangeira.

Procedimentos expeditos

José Rodríguez, que falava na presença do encarregado de negócios da Embaixada de Cuba em Angola, Vladimir Martins, chamou a atenção dos investidores para o cumprimento de alguns procedimentos.
Assim, para que o investimento seja aceite, a empresa deve apresentar o projecto a um centro de negócios, situado na própria ZEDM, que tem entre as suas responsabilidades o acompanhamento e a prestação de apoio aos investidores Depois de analisado, caso o projecto seja aprovado, o investidor terá acesso a um espaço já infra-estruturado na ZEDM, onde poderá desenvolver negócios numa das duas opções: em parceria com o empresariado local ou individual.

Parceria com a ZEE

Os empresários interessados também podem investir fora desta zona de desenvolvimento, para onde está a ser traçada uma estratégia de parceria com a Zona Económica Especial (ZEE) Luanda-Bengo, com vista a facilitar investimentos de empresários dos dois países, aproveitando as oportunidades de negócios disponíveis nos dois lados.
Esta iniciativa vai permitir que o Governo de Cuba abrace a estratégia do Executivo angolano de redução das importações de bens que possam ser produzidos naquele país e aumentar as exportações de mercadorias não petrolíferas.
O responsável cubano anunciou a realização, na primeira semana de Novembro, da Feira Internacional de Cuba, na qual se prevê juntar representantes de 30 países, convidando empresários angolanos a participarem no âmbito das parcerias.
A ZEDM é uma plataforma produtiva e de logística de elevado nível, para o estabelecimento de empresas de produção e prestação de serviços, localizada a 45 quilómetros de Havana, num espaço de mais de 400 hectares.
Criada em 2010, conta com 46 empresas de 20 países (55 dos quais iniciaram os negócios com capitais próprios) que, em conjunto, aplicaram 2 166 milhões de dólares.

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