Economia

Derrame de petróleo é registado no Kitona

Jaquelino Figueiredo | Soyo

Uma fuga registada numa das linhas de transporte de petróleo bruto, pertencente à empresa SOMOIL, no município do Soyo, província do Zaire, provocou ontem um derrame de média proporção nos arredores do bairro Kitona, constatou o Jornal de Angola no local.

Moradores assustados com o lençol de cerca de 300 metros
Fotografia: Jaquelino Figueiredo | Edições Novembro| Soyo

Um dos técnicos da SO-MOIL no Soyo, que não quis ser identificado, confirmou à imprensa tratar-se de uma fuga registada na linha de transporte da Base do Kinfuquena para o reservatório conhecido por Tanque Pângala que provocou o derrame em terra ainda não especificado.
Segundo a fonte, trata-se de uma fuga na linha de transporte de crude do Kinfuquena, que terá começado por volta da uma hora da madrugada. Os técnicos de produção só tomaram conhecimento ao amanhecer, ou seja, por volta das cinco da manhã, tendo de imediato procedido ao encerramento da válvula correspondente, ao mesmo tempo que foram accionadas as medidas para contenção do derrame.
O técnico da SOMOIL disse que a situação está controlada e os trabalhos de limpeza da zona afectada estão em curso, com uma forte intervenção de máquinas de sucção de óleo bruto, apoiados por ca-miões para remoção dos so-los contaminados.
“A situação já está contida. Está-se a fazer a limpeza da zona afectada, concretamente a remoção de solos contaminados e, pela dinâmica do trabalho, ainda hoje teremos tudo resolvido, na medida em que temos no terreno máquinas retroescavadora, uma pá carregadora, camiões de transporte de solos contaminados e um tractor de sucção de resíduos oleosos naquela bacia de petróleo que se criou no fundo da rua desta zona”, garantiu o técnico.
Os moradores do bairro Kitona, arredores da cidade do Soyo, mostraram-se assustados com o derrame que provocou um lençol de cerca de 300 metros de comprimento e dez de largura e solicitaram a intervenção das autoridades, no sentido de tomarem as medidas urgentes para acautelar eventuais outros incidentes do género, regra geral, imprevisíveis. Natália Pedro Albertina, que viu a sua casa sitiada por uma extensa mancha preta que jorrava em forma de jacto da tubagem a escassos metros da sua residência, disse estar preocupada com o incidente que afectou todas as plantas em volta da casa e outras da rua por onde passa todos os dias.
O jovem José Maria apelou as autoridades competentes da província a tomarem medidas, uma vez que a região regista derrames constantes, cuja saúde dos habitantes da zona tem sido fortemente afectada. “A SOMOIL nunca diz nada a respeito dos frequentes derrames que acontecem, só alega que nós devemos sair dos campos onde exploram petróleo. Mas, eles encontraram-nos, deviam antes ter pensado nisso, quando começaram”, disse.
O soba do bairro Kitona, Sebastião António Maria, confirmou à imprensa que aquela zona de exploração de petróleo em terra regista frequentes derrames de toda natureza, sem contudo falar-se dos gases venenosos associados ao óleo negro que escapam durante actividade. “Já acontecem derrames nesta zona e fugas de gases venenosos, tal como nos anos anteriores em que um grupo de pessoas ficou intoxicada e teve de ser socorrida no hospital da Clidopa, na altura”, avançou o soba.
Por isso, acrescentou, te-mos estado a pedir à empresa para colocar a tubagem que transporta petróleo um pouco mais fundo. Segundo o soba, esta é a terceira vez que acontece um derrame. “Já falámos muito com a empresa, mas não dá ouvidos e só pedimos que nos cuidem, uma vez que as plantas todas estão morrer”, concluiu.
Até ao fecho desta edição, todo o esforço empreendido pela equipa do Jornal de Angola, no sentido de abordar os responsáveis da empresa operadora SOMOIL e obter mais esclarecimentos sobre o derrame, redundaram-se em fracasso, por alegada falta de autorização da direcção sedeada em Luanda.

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