Economia

Derrame só envolveu cem barris

Jaquelino Figueiredo | Soyo

A fuga de petróleo que na terça-feira ocorreu nos domínios da companhia privada angolana Somoil, no “onshore” de Kitona, causou o derrame de óleo equivalente a apenas 105,84 barris, anunciou sexta-feira o superintendente geral das operações da empresa no Soyo, João Gomes.  

Membros da comissão multissectorial que averigua derrame durante a deslocação efectuada ao campo de Kitona
Fotografia: Jaimagens/fotógrafo

A informação foi prestada durante a deslocação, ao Soyo, dos membros de uma comissão multissectorial constituída por especialistas dos ministérios do Ambiente, Recursos Minerais e Petróleos, Sonangol, administrador adjunto daquele município e ambientalistas do Zaire, dando conta, da recuperação de 94,33 barris.
Os dados avançados por João Gomes indicam que a recuperação do óleo derramado foi possível graças à introdução de um tractor de sucção nas operações de estancamento da fuga, que acabou por redundar na perda de 11,51 barris de petróleo bruto, os quais se misturaram com areia.
O incidente deu-se, de-clarou o superintendente, em resultado da corrosão no interior do oleoduto de transporte de petróleo bruto, numa intercepção de linhas que vai do campo Quinfuquena para o Pângala, onde é armazenado. “É uma linha de expedição do óleo bruto que ficou afectada pela corrosão e causou a fuga na ma-drugada do dia 13 de Março”, indicou.
João Gomes afirmou que pela manhã, quando a companhia teve conhecimento da ocorrência, foram mobilizadas equipas, meios técnicos e humanos e a expedição de óleo bruto para Pângala foi suspensa, com o que a fuga foi estancada.
Depois disso, prosseguiu o responsável, iniciaram-se escavações no local e colocou-se uma braçadeira na linha afectada, permitindo a exportação para Pângala.
João Gomes atribuiu a fuga à maturidade do campo onde a empresa explora o petróleo bruto, cuja tubagem tem cerca de 30 anos e está sujeita a corrosões nos oleodutos de transporte, dando lugar a roturas, sobretudo quando sob pressão do fluído.
“O campo em ‘Onshore’ já é maduro e as linhas têm mais ou menos de 30 anos de existência. Por isso é que situações como essa acontecem”, lamentou o superintendente, anunciando, contudo, que a Somoil tem um programa de manutenção e substituição das linhas que já permitiu a substituição de alguns quilómetros de linha e vai continuar. “O local da fuga também está no programa”, acrescentou.
A responsável pela unidade de gestão de derrames do Ministério do Ambiente, Madalena Fernando, insistiu na aplicação do plano de substituição das linhas antigas, para que derrames não voltem acontecer, porque as principais vítimas são as comunidades. “Após a informação da Somoil e diante do que constatamos no local, obrigamos a empresa a apresentar um plano de reparação de todas linhas de transporte, quer de petróleo bruto, quer de diferentes gases, bem como as antigas para que situações como essas não voltem acontecer, porque deve-se velar, em primeiro lugar, pela integridade das comunidades”, declarou Madalena Fernando.
A representante do Ministério do Ambiente também pediu que a Somoil se responsabilize pelos danos, indemnize as famílias que ficaram com os cultivos afectados e aumente o seu grau de responsabilidade para prevenir situações do género e não remediar as consequências.
Madalena Fernando também advertiu as empresas petrolíferas em geral, a redobrarem a  responsabilidade no domínio da conservação do ambiente, ao invés de estarem focadas nos lucros. “Queremos fazer lucros sim, mas devemos fazê-los com a protecção do ambiente em primeiro lugar”, aconselhou.

Limpeza concluída

O director do gabinete, qualidade, segurança e ambiente da Somoil, Remy Luvuvamo, garantiu à imprensa a conclusão dos trabalhos de remoção e substituição dos solos contaminado, para manter a salubridade do local.
“As equipas trabalharam arduamente durante 24 horas e conseguimos retirar toda terra contaminada - 96 metros cúbicos - e levá-la para o nosso ‘landfarming’, no Lumueno 24, onde fazemos o tratamento dos solos contaminados com recurso a elementos biológicos”, explicou.
No local da fuga, segundo adiantou, uma equipa da companhia e a Administração Municipal do Soyo advertiram as famílias afectadas sobre os cuidados a terem e garantiu indemnizações a todos.
O processo de indemnização das famílias afectadas está a ser tratado com os técnicos do sector da Agricultura e a Administração Municipal do Soyo, com vista a calcular a área exacta atingida pelo derrame.
“Vamos trabalhar com o sector da agricultura e a Ad-ministração, que vão fazer as medições e calcular a área e, em função disso, vamos determinar o valor atra-vés da tarifa em vigor para indemnizar a comunidade”, acrescentou.

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