Economia

Desempenho económico gera boas expectativas

A economia angolana pode crescer dois por cento este ano e uma aceleração para 2,5 por cento no próximo ano, indica um estudo da consultora Capital Economics, divulgado na segunda-feira.

Projectos estruturantes e maior racionalidade nas despesas estimulam a evolução da economia neste e no próximo ano
Fotografia: Rafael Tati |Edições Novembro|Cabinda


 Esta previsão está um pouco abaixo das estimativas do Governo situadas em 2,1 por cento em 2017, ano em que espera produzir mais de 1,8 milhões de barris de petróleo por dia, a um preço estimado de 46 dólares por barril. Os dados da Capital Economics estão acima das estimativas do FMI (1,3 por cento) e do  do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola, que antevê um incremento médio anual, até 2021, de apenas 240 dólares no Produto Interno Bruto (PIB) por habitante (o equivalente a 1,5 por cento).
“Esperamos que o Produto Interno Bruto ressalte para dois por cento em 2017 e para 2,5 por cento em 2018”, lê-se no mais recente relatório da Capital Economics sobre a economia de África, enviado aos investidores.
“Isto seria bastante fraco pelos padrões históricos, mas seria, ainda assim, uma melhoria significativa face à recessão de 2016”, escrevem os analistas.
“Se a taxa de câmbio oficial rapidamente convergisse com a taxa de câmbio paralela, os custos de pagamento da dívida iriam disparar”, lê-se no relatório sobre consagrado ao terceiro trimestre nas economias africanas. “A fraca qualidade das estatísticas angolanas levanta o sério risco de as coisas estarem piores do que parecem inicialmente”, lembrando que “os números oficiais do PIB foram significativamente revistos em baixa no princípio deste ano”, escreve.
O documento refere-se à revisão relativa aos primeiros três trimestres do ano passado, que apontam para uma recessão média de 4,7 por cento, não havendo ainda números oficiais para o último trimestre, o que significa que não há dados oficiais ainda para o crescimento económico angolano no conjunto do ano de 2016.
Para este ano, a Capital Economics estima que a economia angolana cresça dois por cento, “mas o risco de problemas sérios com a dívida está a crescer”, alicerçado no abrandamento da economia, na manutenção dos preços baixos do petróleo e nos custos de financiamento da dívida dos países africanos, que aumentaram desde 2014.
“Antevemos um preço do petróleo acima do valor do ano passado, aumentando as receitas domésticas e melhorando a posição da balança de pagamentos”, lê-se no relatório, que prevê também que as grandes desvalorizações monetárias façam já parte do passado.
Em Maio, a receita fiscal com a exportação petrolífera desceu 12 por cento, em relação ao mês anterior, para mais de 670 milhões de dólares, o segundo valor mensal mais baixo do ano. De acordo com dados do Ministério das Finanças, sobre as receitas com a venda de petróleo, Angola exportou 50.495.647 barris de petróleo no mês de  Maio, a um preço médio de 50,9 dólares.
Trata-se de um aumento superior a 1,9 milhões de barris face ao mês de Abril e de um incremento de quase dois dólares no valor de cada barril de petróleo exportado.
Desta forma, as vendas totais de petróleo por Angola ascenderam a 2.572 milhões de dólares (2.266 milhões de euros) em todo o mês de Maio.Já as receitas fiscais, relativas a 12 concessões de produção petrolífera, chegaram aos 124.966 milhões de kwanzas (662,5 milhões de euros), enquanto no mês de Abril ascenderam a 141.585 milhões de kwanzas (750,5 milhões de euros).
Angola exportava cada barril, em 2014, a mais de 100 dólares, mas o valor chegou a mínimos de vários anos em Março de 2016, quando se cifrou em 30,4 dólares por barril. Cada barril de crude vendido por Angola em Abril ficou, em média, quase cinco dólares acima do valor que serviu de base à elaboração do Orçamento Geral do Estado para 2017, que é de 46 dólares.
Na origem destes dados estão números sobre a receita arrecadada com o Imposto sobre o Rendimento do Petróleo (IRP), Imposto sobre a Produção de Petróleo (IPP), Imposto sobre a Transacção de Petróleo (ITP) e receitas da concessionária nacional, a Sonangol.

Tempo

Multimédia