Economia

Desenvolvimento da indústria nacional passa pela oferta de mais água e energia

António Eugénio

Uma maior disponibilidade de água e corrente eléctrica seriam factores importantes para considerar o crescimento do sector industrial, segundo especialistas que reagiram ao inquérito publicado recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), referente ao primeiro trimestre de 2020.

Fotografia: DR

Em termos de tendência de crescimento à produção industrial, os entendidos afirmam que prevalece um défice acentuado nas duas áreas, sem falar do desenvolvimento da economia, que vai continuar a impactar negativamente a outros indicadores.
O economista António Estote avançou que, em termos de tendência, a produção industrial, no primeiro trimestre de 2020, aumentou em 3,8 por cento face ao primeiro de 2019.

Para o especialista, este crescimento foi a combinação dos aumentos registados na produção nas indústrias extractivas com 3,0 por cento e das reduções da produção da indústria transformadora em 3,9 por cento e a produção e distribuição de electricidade, gás e vapor em 23,7 por cento e a diminuição na captação, tratamento e distribuição de água e saneamento com 12,9 por cento.
“Os benefícios deste crescimento industrial an-corado na extracção de pe-tróleo deviam ser de ordem puramente financeira, uma vez que o petróleo bruto é destinado, essencialmente, para a exportação e não como matéria-prima da indústria nacional”, disse António Estote. Todavia, segundo a fonte, devido à redução do preço do barril de petróleo verifica-se um abrandamento de 25 por cento no valor das exportações de petróleo de 8.669 milhões no IV trimestre de 2019 para 6.202 milhões no I trimestre de 20120, que cita dados da balança de pagamento disponibilizados pelo BNA.

Ainda no inquérito à produção industrial, conforme o entrevistado, pode-se de-preender que, apesar do au-mento da produção industrial, o mesmo não representou ganhos de eficiência, uma vez que o índice de pessoal ao serviço aumentou em 7,9 por cento, 6,5 por cento para indústria extractiva, 6,5 para indústria transformadora e reduções de 25,5 e 8 por cento para produção e distribuição de energia, captação e tratamento e distribuição de água, respectivamente. No plano da procura nacional de bens e serviços, verifica-se um incremento de 22,8 por cento da produção nacional de bens de consumo, que poderá ter compensado a redução de 21 por cento na importa-ção destes bens de 1.943 milhões no IV trimestre de 2019 para 1.528 milhões no primeiro trimestre de 2020.
Este comportamento, segundo ainda o economista, também foi registado nos bens intermédio e de capital e, por conseguinte, deve-se estar em alerta, visto que a redução da importação de bens intermédios pode sinalizar a baixa dos stocks de matéria-prima.

“Tudo indica que estamos a contabilizar a produção total de petróleo como bem intermédio e não a quantidade consumida pela Refinaria de Luanda, dando uma falsa ideia que os stocks de matéria-prima para indústria nacional tenham aumentado e a produção de bens intermédios ter aumentado em 9,3 por cento”, aflora o economista. Sobre a produção industrial, que reduziu (ex-cluindo a indústria extractiva), António Estote remete para a consulta do relatório económico do primeiro trimestre de 2020 disponível no site do Centro de Investigação Económica da Universidade Lusíada de Angola.

Para o economista, é expectável que os dados do II trimestre de 2020 sejam piores devido aos efeitos da pandemia de Covid-19.
Já a consultora de investimentos e comércio internacional, Conceição Vaz, o Índice de Produção Industrial (IPI) do primeiro trimestre variou positivamente graças à indústria extractiva. Contudo, diz que a indústria transformadora, onde mais se pretende observar o esforço no âmbito da diversificação da economia, contraiu se comparado com o trimestre anterior.

A maior preocupação da especialista reside no facto de os sectores de produção e distribuição de energia eléctrica e água também terem sofrido uma contracção. Ambos, são os que mais devem apresentar crescimento quer na produção, quer na distribuição se a aposta é diversificação da produção nacional, pois, acesso à água e energia é a base de qualquer indústria.

Por outro lado, é necessário promover a equidade territorial na produção in-dustrial, com maior atenção no interior do país e assim promover o desenvolvimento e reduzir a migração para Luanda. Para isso,é necessário maior oferta de energia e água nas outras províncias, assim como nas estradas. E poderão promover maior investimento no interior e Luanda deixar de ser a maior amostragem no que à indústria transformadora diz respeito.

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