Economia

Directores financeiros esperam melhorar resultados este ano

A maior parte, 71 por cento, dos directores da área financeira das empresas angolanas  está confiante, este ano, em relação aos resultados e antecipa melhorias ligeiras ou significativas do ambiente de negócios, de acordo com uma pesquisa da Deloitte divulgada ontem, em Luanda.

Empresários angolanos numa reunião de auscultação com o Presidente da República
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

O estudo “CFO Survey Angola" diz que, na projecção do próximo triénio, a estatística é ainda mais positiva, com 86 por cento dos inquiridos a mostrar-se optimista e a acreditar que o desempenho financeiro vai melhorar.
Os inquiridos acreditam que as opções estratégicas vão passar, ao longo do período pesquisado, pela aposta na melhoria das operações da empresa e na experiência e fidelização dos clientes.
A consolidação de operações, a redução de custos operacionais, o aumento da eficiência operacional e a optimização de processos são actualmente as estratégias mais seguidas por 71 por cento directores financeiros. Para apenas 7,00 por cento as operações não fazem parte do foco estratégico das suas empresas.
“Pelo segundo ano consecutivo [esta é a segunda pesquisa do género], convidámos os directores financeiros das maiores empresas de Angola a partilhar as suas perspectivas sobre a realidade económica do país, os seus desafios e a sua visão para o futuro. Apesar de os inquiridos estarem mais confiantes quanto às perspectivas de negócio das suas empresas, mantêm um grau saudável de cautela quanto ao futuro, continuando a focar a estratégia na melhoria das operações actuais e dando maior importância ao valor da marca e à angariação e retenção de clientes, face ao ano anterior, fazendo desta forma uma descolagem financeira com bases sólidas”, afirma Luís Alves, sócio da Deloitte Angola.

Reinvestir na empresa
Apesar de alguma divergência quanto às prioridades levadas a cabo pelos directores financeiros, a maioria sugere o reinvestimento de fundos na empresa. Cerca de 30 por cento elegem o investimento em nova capacidade (CAPEX) como primeira prioridade, 35 por cento escolhem o pagamento de dívidas como segunda prioridade e 63 por cento indicam a melhoria das operações actuais como terceira prioridade. “Este indicador demonstra que os directores financeiros apontam a reutilização dos fundos ou rendimentos na própria empresa e revela que estes acreditam no potencial das empresas nas quais operam”, disse Luís Alves.
“Este reinvestimento tanto é feito por via da melhoria de operações, do investimento em bens de capital, como na investigação e desenvolvimento, entre outras medidas”, concluiu Luís Alves.

Atentos ao futuro

As principais preocupações económicas dos directores financeiros estão relacionadas com a actual desvalorização do kwanza, a dificuldade de acesso a divisas e a produtos importados.
A terceira preocupação mais geral reside no acesso a divisas para o pagamento de responsabilidades no exterior do país, a matérias-primas e a outros factores de produção, bem como a volatilidade cambial.
As preocupações não são apenas provenientes da envolvente externa. Na opinião dos inquiridos, também existem factores internos que criam obstáculos ao bom funcionamento das empresas, com mais de 30 por cento a referir as insuficientes competências do pessoal de apoio como uma preocupação central, um constrangimento que já havia sido identificado como crítico no ano anterior.

Taxas de juro
A generalidade dos directores financeiros espera que as taxas de juro tenham uma tendência decrescente até ao final de 2020. No entanto, a curto prazo, a maioria acredita que as taxas se manterão ou aumentarão, ao longo de 2018. Consideram os novos financiamentos ou capitais disponíveis excessivamente caros.

Tempo

Multimédia