Economia

Economista alerta Governo para crise de escala global

Edivaldo Cristóvão

Angola deve estar preparada para uma crise económica que se avizinha no próximo ano, alertou ontem, em Luanda, o economista Alves da Rocha, do Centro de Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica, à margem das Jornadas Científicas do Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências (ISPTEC).

Alves da Rocha num debate sobre o OGE 2019 em Luanda
Fotografia: Dombele Bernardo | Edições Novembro

O país deve preparar-se para minimizar o efeito dessa crise, afirmou Alves da Rocha, lembrando que a advertência segue-se a alertas nesse sentido também feitas pelos economistas norte-americanos Nouriel Roubini e Joseph Stiglitz, este último Prémio Nobel da Economia 2001.

O pesquisador do CEIC apontou como prováveis causas da crise para a qual advertiu a evolução da economia norte-americana, o diferendo comercial entre esse país e a China e a saída do Reino Unido da União Europeia.
A isso, prosseguiu, junta-se o diferendo entre os Estados Unidos e a Rússia em matérias nucleares, bem como o que pode acontecer no Médio Oriente, com as sanções contra o Irão.
Diante disso, Alves da Rocha disse que a única coisa que pode transmitir aos decisores do país, é que estejam atentos a esses sinais que, associados, podem contribuir para uma recepção da economia à escala mundial.

Insucessos nos programas
O economista também referiu os programas do Governo, os quais considerou “extensos em matéria de políticas económicas”, além de elaborados com um optimismo de tal forma excessivo, que as medidas preconizadas não resultam.
Alves da Rocha explicou que, depois da avaliação da implementação dos programas, o Governo chega à conclusão que a taxa de cumprimento das metas estabelecidas anda à volta dos 65 por cento, o que leva à escolha de um conjunto de medidas cuja realidade não é a prevista. />Um dos exemplos dado pelo economista tem a ver com o Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2018-2022 e com o anterior de 2013-2017: “se compararmos as metas de crescimento económico entre um e outro, verificamos que o anterior havia excesso de optimismo, apresentando-se com uma taxa média anual de 7,5 por cento. Evidentemente que isso não aconteceu”.
Acrescentou que, recentemente, fez-se uma espécie de balanço no CEIC, comparando aquilo que consta nestes documentos, verificando-se que o novo PDN tem uma taxa média de crescimento anual prevista de 3,00 por cento ao ano, mas não vai ocorrer até 2022, porque a capacidade de crescimento da economia angolana já foi revista e ajustada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O Governo agora terá de fazer alguma alteração nas medidas de política económica.
Alves da Rocha defendeu que os desafios para o desenvolvimento do país são imensos, estão relacionados com o capital humano, institucional, social e empresarial. A resolução desses problemas conjuga para que se desemboque num desenvolvimento económico mais sustentável.
As jornadas em que Alves da Rocha discursou decorrem até hoje, sendo consideradas pelo director-geral do ISPTEC, Euclides Luís, como importantes para a instituição, porque permitem a partilha de conhecimentos entre professores e investigadores, dando aos estudantes oportunidade de os acrescentarem aos resultados dos estudos, além de incentivarem a vertente de investigação científica na comunidade académica.

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