Economia

Economistas divergem sobre modelo do FMI

Leonel Kassana

O economista do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola Precioso Domingos considera que o acordo de 3,7 mil milhões de dólares estabelecido entre o Governo e o FMI, em Dezembro de 2018, “é mesmo necessário” para “garantir as reformas” económicas em curso no país.

Fotografia: DR

“Eu e alguns colegas achamos que o FMI é mesmo necessário, não por causa dos recursos financeiros que está a colocar na economia, mas, sobretudo, por ser um factor que leva às reformas necessárias, sob pena de o endividamento continuar a corroer-nos”, referiu o economista à margem da apresentação do “Relatório Económico de Angola 2018”, na quarta-feira.

A opinião de Precioso Domingos é oposta à do director do CEIC, Alves da Rocha, que, na apresentação do relatório, manifestou-se receoso quanto à dimensão social das medidas previstas no programa conjunto do Governo e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
“Há economistas angolanos que estão plenamente de acordo com essa forma de intervenção e, quando criticamos, solicitam alternativas, embora a questão é a de tornar a estabilidade e o ajustamento mais de acordo com as características do nosso país”, declarou Alves da Rocha na apresentação do relatório.
Precioso Domingos compara a situação social em Angola a um cancro, em que o doente tem duas escolhas: não se submeter à quimioterapia, por ser muito dura, podendo morrer no final de alguns meses, ou submeter-se, com garantias médicas de que vai sobreviver.
“Essa quimioterapia facilmente poderia resultar no recuo do ‘paciente’, se o FMI não estivesse aqui”, referiu Precioso Domingos à imprensa, numa parábola formulada para defender a persistência do Governo no acordo com a instituição.
O economista considera o FMI um ponto de check and balance (controlo e equilíbrio) que inibe até o poder mais elevado do país, por estar avisado das consequências que podem advir da desistência da quimioterapia.
Para Alves da Rocha, o acordo com o FMI traz consequências sociais que devem ser atenuadas com outras instituições internacionais, como o Banco Mundial, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
“Aceitámos e assinámos o acordo. Agora ou o denunciamos (o que politicamente seria um erro enorme) ou vamos até ao fim e tentarmos, nesse período, não violar os pressupostos e atenuar situações sociais mais degradantes”, sublinhou.
O acordo estabelecido entre o Governo e o FMI, designado Programa Ampliado de Financiamento (EFF, sigla em inglês) tem uma vigência de três anos, incidindo sobre o equilíbrio da balança de pagamentos.

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