Economia

Edifício sede do BPC inaugurado há 53 anos

A 28 de Janeiro de 1967, faz hoje 53 anos, o edifício sede do Banco de Poupança e Crédito (BPC), agora em reabilitação, foi inaugurado depois de obras concebidas para fazer com que, aquele, não fosse um edifício qualquer, um facto lembrado num artigo citado por Salambende Mucari, da publicação angolana editada em Portugal “Candando”.

Obras da sede do Banco de Poupança e Crédito devem ser concluídas em Dezembro próximo
Fotografia: KINDALA MANUEL | EDIÇÕES NOVEMBRO

 Naquela data, o Banco Comercial de Angola (BCA) inaugurou a imponente sede com 26 pisos, 87 metros de altura e 17.300 metros quadrados de área de construção, de-senhado pelo arquitecto português Januário Godinho, vindo a tornar-se o arranha-céus mais alto do Império português.
A obra custou cerca de 70 mil contos (191,4 milhões kwanzas ao câmbio actual), demorando seis longos anos a erguer e deu tempo suficiente para espalhar uma anedota por Luanda, em que se comentava que o BCA não queria dizer Banco Comercial de Angola: era, afinal, o acrónimo de “Bai Continuar Ainda”. O BCA entrou no mercado em 1957. Em apenas 12 meses, a primeira instituição bancária privada da província, ligada ao Banco Português do Atlântico, captou depósitos no valor de mais de um milhão de contos (2.734 mi-lhões de kwanzas de hoje). O Banco Comercial quebrou a hegemonia do Banco de Angola, que passou a ter concorrência e foi forçado a partilhar o mercado das trocas comerciais (de divisas provenientes do café, sisal etc.) com o estrangeiro.  Os serviços do BCA eram muito mais rápidos: em vez de demorarem um mês a analisar garantias bancárias para a concessão de créditos, tratavam de tudo numa se-mana. O risco era diminuído por “uma boa rede de informadores que forneciam dados fiáveis sobre a saúde financeira dos clientes”. Na assessoria jurídica, recorda o artigo, o BCA contava com gente de peso: Diógenes Boavida e Maria do Carmo Medina. Artur Cupertino de Miranda, presidente do Conselho de Administração, considerou na inauguração que o BCA era um dos dez bancos mais modernos do mundo e o mais arrojado de Portugal. Manoel Vinhas (da Cuca) era um dos administradores que participaram no acto. Várias empresas participaram na construção do então edifício, contando-se a Empresa Comercial do Ultramar como fornecedora dos vidros e portas Covina, do mosaico bizantino Vidrul para revestimento das fachadas. A Lusolanda, representante em Angola de produtos tão variados como electrodomésticos da marca Philips ou motorizadas Suzuki, assumiu os créditos de uma au-têntica lança em África: a instalação de um sistema centralizado de ar condicionado que produzia 24 milhões de BTU’s por hora, uma capacidade excepcional em todo o continente.
Depois da independência nacional, em 11 de Novembro de 1975, o BCA passou para Banco Popular de Angola (BPA) e nos anos 90 do século XX passou a ser o Banco de Poupança e Crédito (BPC) ou como diz o povo na sua fértil e bem humorada imaginação: BPC - Banco da Paciência e Coragem .

Obras terminam em Dezembro
Em 2013, o BPC assinou com a China Jiangsu International Angola, um contrato designado “Empreitada de Remodelação e Restauro do Edifício Sede do BPC”, uma obra adjudicada em Janeiro de 2014, tendo previsto um prazo de execução de dois anos, de acordo com informações recentemente publicadas pelo Jornal de Angola sobre as obras em curso no edifício. Naquela altura, em 2013, o banco apresentava graves falhas e avarias constantes na rede eléctrica, problemas visíveis de desgaste na maior parte da estrutura (vigas, lajes e pilares) e infiltrações. As obras consistem no reforço estrutural, das redes técnicas de electricidade, hidráulica e electrotecnia, bem como na implantação de redes estruturadas de segurança contra incêndios. Ao nível da funcionalidade e da estética arquitectónica, a intervenção incide sobre a optimização de espaços, substituição de todo o material de acabamentos e da fachada, preservando o traçado antigo das fachadas exteriores. As obras em curso no edifício ficam concluídas em Dezembro deste ano, quatro anos depois do prazo de entrega inicial, além de encarecidas dos 7,7 mil milhões de kwanzas contratualmente previstos, pelo efeito da depreciação cambial e de alterações ao projecto.

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