Emergentes asseguram crescimento global


20 de Abril, 2017

Fotografia: AFP |

O desempenho da economia mundial continua a ser impulsionado pelos países emergentes e em vias de desenvolvimento, que passaram a ter uma actividade económica “mais forte” do que as economias desenvolvidas.

Indicam previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgadas na terça-feira.
O FMI melhorou ligeiramente a previsão de crescimento económico mundial, para os 3,5 por cento em 2017 (contra os 3,4 anteriormente previstos), e espera crescer 3,6 em 2018.
No relatório “Perspectivas Económicas Globais”, o FMI refere que as previsões para o período de 2017 a 2018 reflectem “uma melhoria da actividade nas economias desenvolvidas mais rápida do que o esperado previamente” e, simultaneamente, um crescimento “marginalmente mais fraco” nas economias emergentes e em desenvolvimento em 2017.
Mas a instituição financeira alertou para os riscos crescentes das “políticas isolacionistas” nas economias avançadas.
As economias desenvolvidas devem crescer dois por cento em 2017 e em 2018, uma projecção duas décimas acima da apresentada pelo Fundo em Outubro do ano passado e uma décima acima da actualização das projecções divulgada há três meses.
Estas previsões reflectem “a recuperação cíclica que se espera para a indústria global” e também “um aumento da confiança, escreve a instituição liderada por Christine Lagarde, destacando, no entanto, que se trata de uma projecção “particularmente incerta”, tendo em conta “as potenciais mudanças de política da nova Administração dos Estados Unidos e os seus efeitos de contágio globais.” Os países emergentes e em desenvolvimento, por seu lado, devem crescer 4,5 por cento este ano e 4,8 no próximo, acelerando o ritmo de crescimento registado em 2016, de 4,1. 
O FMI justifica estas previsões com “a estabilização ou a recuperação numa série de exportadores de matérias-primas”, com “o reforço do crescimento na Índia”, que foi “parcialmente anulado pelo abrandamento gradual da economia chinesa”, e sublinha que as perspectivas de crescimento dos países emergentes e em desenvolvimento “continuam desiguais e, em geral, abaixo da média destas economias em 2000-2015.”
De acordo com as projecções do FMI, os Estados Unidos devem crescer 2,3 por cento este ano e 2,5 no próximo, o Japão deve progredir 1,2 e 0,6 em 2017 e em 2018, respectivamente, o Reino Unido deve avançar dois por cento este ano, mas desacelerar para 1,5 no próximo e a economia do Canadá deve subir 1,9 em 2017 e dois em 2018.
Para a Zona Euro, é esperado um crescimento de 1,7 por cento em 2017 e de 1,6 em 2018, mas as tendências são diferentes entre países.
Na Alemanha, o ritmo de crescimento deve desacelerar (dos 1,6 por cento em 2017 para  1,5 em 2018), tal como em Espanha (dos 2,6 em 2017 para os 2,1 em 2018), a Itália deve manter o mesmo ritmo de crescimento nos dois anos (0,8), mas a França deve acelerar (de 1,4 este ano para 1,6 no próximo).
Olhando para o longo prazo, o Fundo Monetário espera que até 2022 a actividade económica mundial “aumente marginalmente”, estando a crescer 3,8 por cento nesse ano, um crescimento que se “deverá inteiramente às economias emergentes em desenvolvimento.”
Os países emergentes e em vias de desenvolvimento devem estar a crescer cinco por cento em 2022, ao passo que as economias desenvolvidas devem estar a progredir 1,7 no mesmo ano, segundo a instituição financeira.
Em relação aos preços, o Fundo Monetário antecipa que “em quase todas as economias desenvolvidas as taxas de inflação serão mais altas em 2017 do que em 2016”, ficando nos dois por cento este ano e, relativamente às economias emergentes (excluindo Argentina e Venezuela), o FMI espera que aumente dos 4,4 por cento em 2016 para os 4,7 em 2017.
O Fundo Monetário Internacional considera que grande parte dos riscos estão inclinados para o lado negativo, “em particular no médio prazo”, tendo em conta “a incerteza generalizada em relação às políticas” e alerta que os riscos para o crescimento de médio prazo “parecem agora mais claramente negativos” também porque as medidas nos Estados Unidos e na China “vão ter de ser revertidas para evitar uma dinâmica orçamental insustentável.”

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