Economia

Empreendedores enfrentam obstáculos para obter crédito

Victorino Joaquim

A transferência de quatro mil milhões de kwanzas do Fundo Activo de Capital de Risco Angolano (Facra) para a gestão de oito sociedades de micro-crédito impulsiona os fluxos de capital em seis sectores, mas exclui o empreendedorismo e os pequenos negócios.

Valor do crédito para dinamizar micro-negócios às vezes é inferior ao da papelada que é exigida
Fotografia: DR

Disso mesmo, queixou-se um grupo de empreendedores que, na quarta-feira, reuniu-se, em Luanda, com responsáveis do Instituto Nacional de Apoio a Pequenas e Médias Empresas (INAPEM) para discutir as iniciativas institucionais de financiamento. 

No encontro, foram abordados aspectos ligados aos programas de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importação (Prodesi) e o de Apoio ao Crédito (PAC), bem como o comissionamento de fundos do Facra.

Os representantes do sector dos micro-negócios apresentaram inquietações referentes ao acesso ao crédito no quadro das medidas de alívio económico e financeiro previstas no quadro do combate aos efeitos da propagação da pandemia da Covid-19. O empreendedor Kiokamba Cassua reconheceu o mérito dos programas do Executivo, mas lamentou as dificuldades que os jovens enfrentam para obter crédito.

“Existe muita burocracia para o acesso ao crédito: às vezes, só precisamos de um empréstimo de 10 mil kwanzas, mas somos obrigados a tratar documentos em que é necessário gastar cinco vezes mais”, disse para ilustrar a situação. Manuel Quental, da Associação de Pessoas com Deficiência Visual, acrescentou que a maior parte dos jovens elegíveis para o micro-crédito não possui as condições exigidas pela banca.

“O financiamento não deve ser dado apenas para se criar acima de mil postos de trabalho: deve também servir àquele empreendedor com projectos para criar cinco ou seis postos de trabalho que, nesta senda, resulta em milhares de empregos”, disse Paixão Cafuquena, da Juventude Unida de Luanda. 

No final de Julho, o Facra e oito sociedades de micro-crédito e cooperativas de crédito assinaram contratos de operacionalização de uma terceira linha de crédito de quatro milhões de kwanzas, enquadrada nas medidas de alívio económico e financeiro. 

O Facra disponibilizou valores que vão de 270 milhões a 1.100 milhões de kwanzas a oito sociedades de micro-crédito e cooperativas de crédito para que possam conceder financiamento a micro-negócios em sectores ligados ao processamento alimentar, logística e distribuição de produtos agro-alimentares e de pesca, reciclagem de resíduos sólidos urbanos, produção cultural e artística, desenvolvimento de “softwares”, bem como produtos e serviços que constituem a cadeia do agronegócio.

Nos termos do contrato, a Kixicrédito Angola recebe o montante de 1.100 milhões de kwanzas, a Facilcred 970 milhões, a Cooperaje 410 milhões e Wiliete Crédito 400 milhões, enquanto a Multicrédito obtém 300 milhões, a Gingacred 280 milhões, a Kif Crédito e Nespecred 270 milhões de kwanzas cada.

Tempo

Multimédia