Economia

Empresas africanas propõem matérias-primas aos chineses

Natacha Roberto | Changsha

A 1ª Exposição Económica e Comercial China-África abre hoje as portas ao público, envolvendo representantes de 51 países africanos que expõem mercadorias que constituem uma amostra da oferta da região, geralmente matérias-primas e também bens acabados.

1ª Exposição Económica e Comercial China-África abre amanhã
Fotografia: DR

Os pavilhões de Angola, Guiné Equatorial, Gabão, República Centro Africana, Burundi, Gana, Uganda, Tanzânia, Costa do Marfim, Zâmbia e Serra Leoa tinham depositados, até ao final do dia de ontem, todos os produtos agrícolas de maior produção e peças que espelham o uso e costumes dos povos.
O director-geral da Organização de Empresas Produtoras de Cacau da Costa do Marfim, Nguessan Moro, considera a realização da feira um marco histórico nas relações entre africanos e chineses.
Segundo o responsável, a intenção da organização é conseguir investimentos para instalar fábricas que transformem cacau e alargar as áreas de plantação, além de negociar com investidores chineses ajuda a elevar a produção de dendém em toda a cadeia de valor, por meio da instalação de unidades fabris.
Na Costa do Marfim, notou, estão implantadas várias cooperativas que, de forma organizada, recolhem toda a produção agrícola de cacau, café, palmar, cereais e alguns tubérculos, embalando-a para o comércio interno. “A nossa organização tem envidado esforços para lutar contra a pobreza no meio rural através de iniciativas empreendedoras”, disse.
Os países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) garantem presença nesta primeira exposição económica que junta Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. O coordenador de actividades culturais do Ministério da Cultura de São Tomé e Príncipe, Adilson de Almeida, afirmou ao Jornal de Angola que o país precisa reforçar as suas estratégias para estimular a entrada de mais turistas. “A China é um parceiro de São Tomé e Príncipe e, com essa relação, queremos adquirir mais conhecimentos e investimentos em infra-estruturas hoteleiras”, acentuou.
O presidente da Câmara de Comércio Angola-China, Arnaldo Calado, considerou que um dos objectivos da exposição consiste em reforçar o papel da China em África, ganhando assim notoriedade junto dos mercados do continente. Arnaldo Calado acredita que a exposição gera benefícios mútuos e maior proximidade entre empresários africanos. “Era, até agora, impensável uma grande potência promover a cooperação entre Estados africanos”, disse, acrescentando que os países africanos devem promover o intercâmbio entre eles.

Tecnologia em alta
O Centro de Conferência e Exposições de Hunan reúne empresas africanas e mais de 50 expositores chineses que propõem na exposição linhas de produção de automóveis das marcas Baic e Leopaard, já comercializados em Angola.
Drones com grande capacidade de resolução a longa distância também estão expostos na feira que mostra, ainda, projectos habitacionais erguidos em países africanos por empresas chinesas, além de vários modelos de telefones da marca Huawei. De acordo com o programa do pavilhão de Angola, o grupo de Ballet Tradicional Kilandukilu dá boas vindas aos visitantes. Estão previstos na exposição internacional encontros bilaterais que visam dinamizar as parcerias de negócios entre empresas angolanas e chinesas. Prevê-se a realização de um simpósio bilateral do comércio China-África que junta empresários dos dois continentes.

 

Tempo

Multimédia