Economia

Empresas chinesas em Angola com perdas de 500 milhões de dólares

Natacha Roberto

As empresas chinesas que operam em Angola registam, até ao momento, uma queda no volume de negócios a oscilar entre os 350 e 500 milhões de dólares face às restrições das actividades provocadas pela pandemia da Covid-19.

O centro comercial Cidade da China está fechado por causa da Covid-19 e serve de referência dos investimentos chineses
Fotografia: Santos Pedro| Edições Novembro

O vice-presidente da Câ-mara de Comércio Angola-China, Francisco Shen, em entrevista ao Jornal de Angola, informou que, em 2019, o vo-lume de negócios atingiu 2,86 mil milhões de dólares e o investimento das empresas 206 milhões de dólares. “O surto repentino da pandemia está a ser insuportável. A situação económica das empresas chinesas em Angola está a piorar. Se a situação não melhorar, essas perdas vão ultrapassar os 500 milhões de dólares”, disse.

Francisco Shen aclarou que o primeiro trimestre deste ano está a ser caracterizado por perdas sucessivas nos negócios em todas as empresas privadas e estatais da China em Angola.Devido ao surto e situação económica, o número de cidadãos e empresários chineses em Angola é inferior a 50.000 dos 200 mil registados até final de 2019.

“Várias empresas chinesas que regressaram à China participaram de forma activa na transformação e modernização do país, nos sectores da construção civil, indústria, agricultura, pesca, mineração, educação, comércio e restauração”, acentuou. A queda vertiginosa do preço do petróleo impulsionou a paralisação dos projectos de construção de infra-estruturas. Fruto disso, as empresas de construção civil optaram pela retirada do mercado ou transformação das suas actividades.

Segundo o responsável, em 2019, todas as empresas chinesas sobreviveram às dificuldades mesmo com as restrições no acesso às divisas, e nessa altura em que a pandemia prevalece, quase todos os negócios, cooperações e intercâmbios estão suspensos. “Os investimentos estão suspensos em função da situação da desvalorização da moe-da nacional e o custo de produção que está cada vez mais elevado”, esclarece. Neste momento, segundo afirma, as empresas querem garantir apenas o pagamento de impostos e as obrigações com os funcionários.

Volume comercial

Francisco Shen indicou que, de Janeiro a Dezembro de 2019, o volume comercial bilateral entre a China e Angola atingiu 25,71 mil milhões de dólares, uma queda de 8,35 por cento em relação ao ano anterior. O quadro de exportações chinesas para Angola, em 2019, calculou-se em 2.056 mil milhões de dólares, tendo registado uma queda de 8,78 por cento em relação ao ano anterior e, as importações atingiram os 23.654 mil milhões, com queda de 8,31 por cento.
O valor do contrato das obras públicas realizadas pelas empresas foi de 809 milhões de dólares, uma queda de 63,9 por cento em relação ano anterior.
Nesse sentido, o vice-presidente da Câmara de Comércio Angola-China antevê bons resultados económicos depois de ultrapassada a pandemia com a reestruturação do mercado angolano, onde as empresas devem actuar com novos negócios.
“Não é fácil sair bem dos efeitos negativos dentro de curto prazo. Acho que o Go-verno angolano deve continuar a incentivar políticas de investimentos para garantir um melhor ambiente de ne-gócios”, disse. Francisco Shen considera positivas as reformas do Estado que visam diversificar e melhorar os índices económicos do país.
“Embora tenhamos dificuldades nos negócios, estamos confiantes que a pandemia é temporária. Com os esforços de todos, venceremos o coronavírus e a situação económica vai melhorar”, afirma.

Cooperação abrangente

China e Angola, na visão de Francisco Shen, podem transformar as vantagens tradicionais dos dois países como força motriz da cooperação em que todos saem a ganhar. O país asiático continua disposto a incentivar e apoiar as suas empresas a investir em Angola, participar na construção dos parques industriais, infra-estruturas, agricultura, saúde, turismo, pesca, cultura e educação.
Desde a criação do fórum Sino-África, é visível os resultados da cooperação entre os dois países, com a construção de 2.800 quilómetros de linha férrea, 20.000 quilómetros de estradas, 100 escolas, 50 hospitais e 100.000 casas. Em relação ao Decreto Presidencial que limita o horário de actividade das empresas, adiantou que as firmas chinesas em Angola cumprem de forma rigorosa, estando todas elas temporariamente fechadas.
“Todo o pessoal fica de quarentena domiciliar. Por exemplo, a Cidade da China e o Kilamba Shopping também foram, temporariamente, fechados. Todos fazemos o uso da máscara, lavagem das mãos, uso de desinfectantes e medição da temperatura”, referiu.
O vice-presidente da Câmara de Comércio Angola - China afirmou que o vídeo posto a circular nas redes so-ciais são falsos e visa desacreditar as boas relações existentes entre os dois povos.

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