Economia

Executivo ainda sem decisão sobre subida dos combustíveis

Cristóvão Neto |

O Executivo ainda não decidiu se aumenta os preços dos combustíveis depois do ajustamento cambial que, na terça-feira, iniciou um regime de flutuação da moeda nacional e provocou uma primeira depreciação do kwanza de dez por cento, soube o Jornal de Angola de fonte oficial.

Antes de decidir, Governo quer analisar os custos gerados pela depreciação
Fotografia: Contreiras Pipa | Edições Novembro

O curso da moeda angolana passou de 166,749 para 185,020 kwanzas por dólar, mas uma fonte conhecora do processo declarou que o Executivo ainda está a avaliar com a Sonangol se os custos associados aos refinados de petróleo também se alteraram ao ponto de exigirem já um aumento dos preços dos combustíveis.
“É necessário fazer primeiro uma análise de custos da empresa. Estamos a avaliar”, afirmou a fonte que considerou que a alteração do curso do kwanza não implica uma subida automática dos preços dos combustíveis.
A fonte, que analisava as implicações do Plano Intercalar de seis meses - para aplicar em Outubro e Março -, e do Programa de Estabilização Macroeconómica (PEM), revelou a decisão do Executivo de introduzir  um programa de privatizações impulsionado pelo mercado de capitais.

Dispersão bolsista
“Há vontade política de avançar com o mercado de capitais”, declarou a fonte, apontando a criação de uma comissão multi-sectorial para lidar com o processo, na qual têm assento representantes da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), o organismo regulador, e da Bolsa da Dívida e Valores de Angola (BODIVA).  
A primeira dessas experiências ocorre já com a privatização de Angola Telecom, anunciada para o os primeiros três meses, numa operação em que a passagem de mãos do capital da companhia pública de telecomunicações ocorre, parcialmente, por dispersão bolsista. A decisão do Governo, disse, é a de autorizar uma dispersão bolsista parcial do capital das empresas a privatizar e da elevação dos padrões daquelas que se afigurarem menos apetecíveis para os investidores.

FMI: a resposta é não
A fonte deixou claro que o Executivo não vai concordar com a introdução de um programa de assistência financiado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), optando, antes, por uma emissão de Eurobonds para financiar parcialmente défice que, este ano, se situa em menos de 3,00 por cento do Produto Interno Bruto, por imperativo das noções de consolidação fiscal introduzidas pela aplicação do PEM.
“A resposta é não”, declarou a fonte quando indagada a respeito de um programa conjunto financiado pelo FMI, confirmando o projecto do Governo estar a decidir uma emissão de Eurobonds - títulos de dívida emitidos sobre o estrangeiro - apesar da degradação do “rating” soberano de Angola.
O plano, revelou, consiste em emitir títulos para alargar a curva da dívida de Angola - uma equação e que o grosso do “stock” da dívida se situe mais a médio e longo prazo que a curto prazo.
“Se mantivermos a actual trajectória da dívida, o ‘rating’ de Angola vai ser ainda mais degradado”, afirmou a fonte para aferir o valor estratégico da operação projectada para o ano em curso.
A fonte acrescentou que a expectativa é de  uma emissão com maturidade de dez anos e bem sucedida, depois dos juros da dívida angolana terem caído de 9,00 para 7,00 por cento no mercado internacional.

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