Economia

Exportações atingem 119 milhões de barris

Leonel Kassana

A Sonangol e as suas associadas exportaram, no primeiro trimestre, cerca de 119 milhões de barris de crude a um preço médio de 63,058 dólares, resultando numa receita bruta de perto de 7,55 mil milhões de dólares, segundo dados divulgados ontem, em Luanda, pela Direcção Nacional de Mercados e Promoção da Comercialização do Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos (MIREMPET).

Presidente da Comissão Executiva da Sonaci (direita) apresenta dados das exportações
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

A produção total de petróleo registou uma diminuição de 10,29 milhões de barris em relação ao mesmo período de 2018.
A quota da Sonangol representou cerca de 38 por cento do total das exportações, mais de 45 milhões de barris, e um volume bruto de vendas no valor de 2 827 milhões de dólares, uma diminuição de 211 milhões de dólares face aos mais de três mil milhões do quarto trimestre de 2018, de acordo com números apresentados pelo presidente da Comissão Executiva da Sonangol Comercialização Internacional (Sonaci).
Luís Maria referiu que a diferença deve-se, principalmente, à variação do preço médio das vendas influenciadas, naquele período, pelo preço médio do Brent de cerca de 60 dólares por barril, quando no terceiro trimestre de 2018 rondava nos 67 dólares.
A evolução do preço do petróleo angolano no mercado internacional, considerado “extremamente vo-
látil”, foi influenciada pelo desanuviamento do clima de negociações entre a China e os Estados Unidos em relação às tarifas a adoptar nas suas transacções, a variação da produção do petróleo não convencional neste último país (que muitas vezes esteve em alta) e os desafios políticos globais, fundamentalmente na Líbia e Venezuela.
Os cortes na produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), as sanções dos Estados Uni-dos contra o Irão e a grande va-riação dos stocks dos EUA são apontados como factores que influenciaram o desempenho das ramas angolanas, segundo o presidente da Comissão Executiva da Sonaci.
Luís Maria destacou ainda o estreitamento do diferencial entre as duas ramas de referência, o Brent, que é a base das vendas do petróleo bruto angolano, e o Dubai, que influenciou bastante o mercado do Médio e Extremo Oriente. />Referiu-se, também, ao alargamento no diferencial entre outras duas ramas de referência, o Brent e o WTI, este com grande influência no mercado norte-americano.
O presidente da Comissão Executiva da Sonaci sublinhou, igualmente, os elevados preços dos fretes. “Em Janeiro e Fevereiro os preços estavam em alta e isso levou à diminuição dos fluxos de carregamentos de petróleo produzido em Angola para as refinarias asiáticas, já que estas optaram pelas ramas mais próximas”, sublinhou Luís Maria.
O presidente da Sonaci indicou, contudo, que a situação registou melhorias em Março, com taxas de transportação mais atractivas, gerando um significativo aumento do interesse pelas ramas angolanas.

Principais destinos
A China continua a ser o principal destino das exportações do petróleo angolano, com 55,87 por cento do total no primeiro trimestre, contra 72,28 por cento no anterior, um decréscimo de cerca de 17 por cento.
A diferença foi compensada pela Índia, que registou um incremento de cinco por cento nas compras a Angola e aparece agora como segundo destino das exportações angolanas, com 17,70 por cento do total (10,23 por cento em 2018).
A Espanha foi o terceiro destino das exportações do petróleo angolano, com 7,54 por cento do total, um incremento de 5,00 por cento, já que no último trimestre do ano passado esteve um pouco acima dos 2,16 por cento. Com percentagens mais modestas estão países como a África do Sul, Estados Unidos, Coreia do Sul, Itália, França, Israel e Uruguai.
No primeiro trimestre de 2019, a Refinaria de Luanda recebeu mais de 7,54 por cento da produção angolana, contra pouco mais de um por cento no último trimestre de 2018. O incremento é explicado com a “paralisação programada” para a manutenção naquele período do ano passado, numa operação que conta com a assistência técnica e financeira da petrolífera italiana ENI.

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