Economia

Fábrica produz luvas de látex no Namibe

João Upale | Moçâmedes

Uma fábrica de luvas hospitalares com capacidade para produzir cem milhões de unidades por ano em construção no complexo industrial Canef, implantado nos arredores de Moçâmedes, Namibe, com investimentos de oito milhões de dólares, arranca em Janeiro do próximo ano, soube o Jornal de Angola.

Iminente conclusão das obras contrasta com a expectativa de custos de produção altos
Fotografia: DR

O administrador do Canef, Fernando Costa, declarou que, depois da estrutura ter sido erguida, em Julho de 2018, a montagem de equipamentos está “bastante avançada”, decorrendo a afinação da tubagem de alimentação das caldeiras, ao mesmo tempo que se espera a chegada, da China, do material para automatização da linha de produção, com testes previstos para o período entre Agosto e Dezembro.
O surto do covid-19 na China, lamentou, levou ao encerramento de empresas fornecedoras, o que origina um atraso neste momento estimado de dois ou três meses para que o equipamento em falta para a montagem chegue ao país.
O administrador declarou que o regime fiscal vigente desde Outubro tem estado a sobrecarregar os custos, no que disse ser o maior constrangimento, uma vez que a administração da empresa tem estado a pagar o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) sobre a importação de matéria-prima, algo que disse poder inviabilizar a produção das luvas em Angola.
Tendo o látex como principal matéria-prima, a produção de luvas hospitalares conta com outros 16 produtos químicos importados da Malásia, Indonésia e Tailândia. A estratégia do fabricante, o único no continente africano, é a de abastecer o mercado angolano e destinar de 40 a 50 por cento da produção à exportação, desde que os custos sejam competitivos. “Com custos elevados, não sei se será possível”, declarou o gestor.
A unidade de produção foi visitada na sexta-feira pelo governador do Namibe, Archer Mangueira, que recebeu do administrador do Canef explicações adicionais sobre o objecto social e a importância da fábrica para o sistema de saúde.
A vice-governadora para os Serviços Técnicos e Infra-estruturas, Ema Guimarães, disse, na ocasião, que o projecto "é muito importante" por acrescentar "valor económico aos recursos da província e ter o potencial de diminuir a importação das luvas hospitalares".

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