Economia

Fábricas de cimento paralisadas

A indústria transformadora implantada no país cresceu consideravelmente nos últimos anos, apesar de algumas demonstrarem baixa capacidade produtiva e de funcionalidade, afirmou, ontem, em Luanda, a ministra da Indústria.

Paralisação está relacionada com a falta de combustível para pôr a funcionar as máquinas
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

Ao discursar na abertura no Conselho de Direcção do Ministério da Indústria, que abordou os desafios da actividade industrial  no novo ciclo governativo, Bernarda Martins disse que o sector vai melhorar o observatório à indústria, com vista a recolha regular de dados estatísticos.
Bernarda Martins destacou a necessidade da contínua divulgação, através da síntese da análise da conjuntura da indústria nacional, mensal, contendo informações sobre produção, importação, exportação e outras informações relevantes sobre o sector.
Relativamente à baixa produção de duas fábricas de cimento, das cinco existentes no país, Bernarda Martins explicou que o problema está na base de constrangimentos no domínio energético, que teve início desde a primeira metade do segundo semestre deste ano.
A ministra garantiu que o Executivo  está a ajudar as empresas a ultrapassar tais constrangimentos, para não prejudicar a oferta de cimento no mercado. “Logicamente, quando há diminuição da oferta, o mercado reage mal, os comerciantes sobem os preços, devido a maior procura, mas, dentro em breve, a situação das duas indústrias penalizadas volta ao normal”, garantiu.
Actualmente, sublinhou a ministra, foram reestruturados os vários institutos públicos, com a criação do Instituto Nacional de Inovação e Tecnologias Industriais e o Instituto Angolano de Acreditação, com os olhos postos no futuro da indústria, que está a abordar os principais desafios da actividade industrial.
Como tarefas imediatas, neste novo ciclo governativo, o sector vai melhorar o observatório da indústria, com vista à recolha regular de dados estatísticos. Bernarda Martins frisou que foram também lançadas as bases para novos programas a implementar nesta legislatura, como “Consolidar” e o “Start”, bem como para a criação do Fundo de Facilitação do Desenvolvimento Industrial e para o adensamento das cadeias produtivas.
A ministra realçou a informatização crescente do Ministério da Indústria, estando em funcionamento um sistema de informação integrado, através da pesquisa da produção industrial mensal, bem como a concretização do censo da indústria de Angola. Por outro lado, Bernarda Martins garantiu que a instituição que dirige vai dar atenção à indústria alimentar e de material de construção, além de incentivar o surgimento de novas unidades fabris no país.

Principais fábricas

Tal como acontece com a fábrica CIF, em Luanda, a fábrica de cimento do Cuanza-Sul suspendeu as suas actividades no dia 15 de Julho. A paralisação está relacionada com a falta de combustível para pôr a funcionar as máquinas da unidade industrial. A paralisação da FCKS fez alterar o preço do saco de cimento no mercado. Previa-se a retoma da actividade em Setembro, mas, ontem a direcção da fábrica anunciou uma paralisação total a partir do próximo mês.
A principal queixa da administração da fábrica de cimento tem a ver com o alto custo do combustível, facto que, infelizmente, força a paralisação.
Com uma capacidade de produção de 1.330.000 toneladas de clínquer e 1.400.000 toneladas de cimento anuais, a fábrica de cimento do Cuanza-Sul entra nas contas dos grandes investimentos efectuados no sector. Em Janeiro de 2016 foram produzidas 64.950,33 toneladas e em Fevereiro 63.131,64. No mês de Março a produção aumentou para 66.131,64 toneladas, em Abril para 86.594,15 e, em Maio, para 67.129,66. Em Junho foram produzidas 42.3355,50, perfazendo um total de 390.927,85 toneladas.
Com as duas fábricas paralisadas, fica pressionada, em Luanda, a Nova Cimangola.

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