Economia

Facilitação de vistos é boa para os negócios

Leonel Kassana

O acordo de facilitação de vistos em passaportes ordinários rubricado com a China, no domingo, em Luanda, abre amplas possibilidades para expandir os negócios entre empresários dos dois países, considerou o presidente da Câmara de Comércio Angola-China (CAC), Manuel Calado, em declarações ao Jornal de Angola.

Vice-presidente da CAC considera acordo crucial para atrair os turistas chineses
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

“A assinatura desse acordo abre, na verdade, uma fase particularmente importante nas relações que já conhecem alguma intensidade entre Angola e a China, apesar das dificuldades económicas e financeiras do nosso país”, referiu Manuel Calado, acrescentando ser expectável que a cooperação entre empresas dos dois países conheça uma nova fase e traga vantagens mutuamente vantajosas.
Manuel Calado considerou Angola um “parceiro estratégico” da China e defendeu o acesso privilegiado ao fundo de desenvolvimento que o país asiático tem para o desenvolvimento de África. “O novo quadro abre, pois, grandes possibilidades para a melhoria do ambiente de negócios entre os dois países”, sublinhou Manuel Calado, definindo a agricultura como um dos principais pilares da parceria entre empresários dos dois países.
O vice-presidente da CAC, António Evaristo, reforçou, referindo que esse acordo vem aproximar mais chineses e angolanos e que é um meio “bastante funcional” para fazer com que os negócios entre os empresários dois países possam fluir de maneira mais célere.
“Sempre notámos uma grande dificuldade na entrada dos chineses em Angola e dos empresários angolanos naquele país, devido a alguma morosidade na obtenção dos vistos, pelo que essa decisão dos dois governos vem trazer uma grande mais-valia para as relações comerciais, que se querem cada vez mais fortes”, disse António Evaristo.
A concretização desse acordo, declarou, é quase como um “sonho” para a CAC, pois “uma das nossas principais batalhas foi a criação de facilidades a entrada dos chineses em Angola e vice-versa”, isso, apesar da colaboração que sempre existiu dos Serviços de Migração e Estrangeiros (SME).

A vez do turismo
Mas as facilidades que o acordo agora acabado de assinar abrem para os empresários dois países, geram a expectativa de melhorar aspectos do ambiente de negócios, como são as questões migratórias. António Evaristo traça um quadro mais virtuoso para as relações comerciais entre a Angola e China, em que se inclui o turismo.
“Precisamos de facilitar a entrada de turistas no nosso país, os quais trazem recursos que contribuem para a diversificação da economia”, referiu, mostrando-se optimista com as medidas recentemente tomadas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) que, entre outras, incluem a uma taxa de câmbio flutuante.
“Com essas facilidades e, também, as reformas do BNA que vão revolucionar a banca comercial, sentimos alguma há luz no fundo do túnel”, acrescentou, notando que “os chineses já se sentem mais confortáveis para fazer os investimentos em Angola”.
Dezenas de comerciantes individuais que têm a China como mercado para as aquisições referiram-se ao acordo sobre a facilitação de vistos em passaportes ordinários para a China como uma medida de grande alcance nas relações entre os dois países, escreveu ontem a Angop.
O acordo de facilitação de vistos em passaportes ordinários deve vigorar dentro de trinta dias a contar de domingo e vai simplificar a entrada de homens de negócios, académicos e pesquisadores científicos, homens de cultura, desportistas e pessoas que necessitam de tratamento médico.

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