Economia

Falta de mercado baixa capacidade de venda de cimento em todo o país

Roque Silva e Augusto Cuteta

A indústria cimenteira nacional vende apenas 18 por cento da sua capacidade de produção instalada, fixada, actualmente, em oito milhões e 660 mil toneladas de cimento.

A situação obrigou as fábricas a reduzirem os níveis de produção e, consequentemente, a utilização dos equipamentos
Fotografia: Edições Novembro

O dado foi revelado, ontem, pelo presidente da Associação da Indústria Cimenteira de Angola (AICA), Manuel Pacavira Júnior, que adiantou ser Agosto deste ano o mês em que se registou a pior venda de cimento dos últimos cinco anos, devido à incapacidade do mercado nacional de absorver a quantidade de cimento produzido em igual período.

Manuel Pacavira Júnior disse que, em Agosto último, as cinco cimenteiras existentes no país comercializaram apenas 1.535.582 (um milhão, quinhentos e trinta e cinco mil e quinhentas e oitenta e duas) toneladas das 8.660.000 (oito milhões e seiscentas e sessenta mil) toneladas, que são a actual capacidade instalada.
O empresário referiu que os dados representam uma perda de 7.124.418 (sete milhões, cento e vinte e quatro mil e quatrocentos e dezoito) toneladas do produto.
O presidente da AICA disse que essas perdas são as mais flagrantes dos últimos cinco anos no sector, pelo que urge a necessidade da criação de estratégias para proteger as fábricas.
Manuel da Silva Pacavira Júnior esclareceu que a capacidade anual de produção de cimento instalada no país cresceu de oito milhões de toneladas, em 2016, para 8.660.000 (oito milhões e seiscentas e sessenta mil) toneladas, em 2017, números que, de acordo com o presidente da AICA, deveriam representar um elemento chave para o aumento das vendas.
Manuel Pacavira Júnior fez saber que a indústria cimenteira no país registou algum conforto nos anos de 2015, 2014 e 2016. Nesses períodos, foi possível comercializar 5.198.353, no primeiro ano, 4.917.454, no segundo, e 3.874.603 toneladas, no último ano. Os dados apresentados pelo presidente da AICA mostram, também, que, além do ano em curso, os anos de 2018 e 2017 surgem a seguir entre os mais desfavoráveis para as fábricas do sector, em termos de comercialização de cimento.
Em 2018, disse, as vendas foram de 2.620.115 toneladas e, no ano anterior, de 2.632.389 de cimento vendido. Manuel Pacavira Júnior acentuou que o actual estado do sector obrigou as fábricas a reduzirem, igualmente, os níveis de produção e, consequentemente, a utilização dos equipamentos, em relação à sua capacidade instalada.

País bem servido
O presidente da AICA revelou que, neste ano, a indústria cimenteira nacional reduziu para 18 por cento os níveis de utilização dos equipamentos, quando, no ano passado, este número se havia fixado em 26 por cento e, consequentemente, em 30, em 2017, 48, em 2016, 64, em 2015, e 61 por cento, em 2014. O presidente da AICA afirmou que o mercado nacional se mostra incapaz de absorver a capacidade instalada de produção de cimento, um facto resultante da redução do volume de obras públicas.
O país está bem servido em fábricas de cimento, afirmou o responsável, para quem a capacidade de produção pelas cinco cimenteiras (Cimangola, CIF, FCKS, Secil Lobito e Cimenfort) é garantida pela existência de matérias-primas por pedreiras com quantidade suficiente de abastecimento por, pelo menos, 50 anos, potencialidade dos equipamentos, água e energia eléctrica, embora algumas ainda sobrevivam de fontes alternativas.
A Cimangola e a CIF, em Luanda, têm jazidas próprias, com uma durabilidade superior a 60 anos, que é o tempo normal de vida de uma mina de inertes. A FCKS tem uma enorme potencialidade de recursos minerais, fundamentalmente o calcário, que, com a argila, areia e o mineiro de ferro, constituem a matéria-prima base, para a produção de cimento, depois de adicionada ao gesso e a outros componentes.
Além de cimento, o clínquer é outro produto fabricado pela indústria cimenteira nacional, cuja produção anual é de seis milhões e 450 mil toneladas. A produção é feita nas fábricas Cimangola, CIF, ambas em Luanda, e na FCKS, no Cuanza-Sul, que, com a Secil Lobito e a Cimenfort, instaladas em Benguela, integram a Associação da Indústria Cimenteira de Angola, juntamente com as sociedades de investimentos e participações Secil Angola e Ciminvest.

Impacto do IVA
A Associação da Indústria Cimenteira de Angola entende que a implementação do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), desde 1 de Outubro, não foi efectuada no momento mais adequado.
Para Manuel Pacavira Júnior, a taxa de 14 por cento também deveria ser bem estudada, sendo que, como alternativa, seria oportuno haver uma diferenciação para cada sector, já que a sua maioria depende ainda da importação para sobreviver.
A Associação da Indústria Cimenteira de Angola, considerou o responsável, pela nobreza do produto das suas associadas e pela multiplicidade da sua utilização nos vários segmentos para a evolução do país, tem um significado bastante importante para a reconstrução e o desenvolvimento nacional.

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