Economia

Fazendas paralisadas preocupam o Governo

O Governo Provincial de Benguela promete criar pontes para parcerias entre  fazendeiros do município da Ganda e empresários estrangeiros, para dinamizar o agronegócio na circunscrição.

Criadores da região recusam-se a vacinar o gado, ameaçado por um surto de doença bovina
Fotografia: DR

A garantia  foi dada pelo  director do Gabinete Provincial da Agricultura e Florestas de Benguela, José Gomes Silva, num encontro, na segunda-feira, na Ganda, com agricultores, fazendeiros, líderes de movimentos cooperativos e associações de camponeses.

Das 167 fazendas agrícolas registadas no município, de acordo com o responsável, apenas seis foram reactivadas, até à data, por incapacidade financeira dos actuais proprietários.

A maioria dos fazendeiros,  disse, enfrenta grandes dificuldades financeiras, alguns dos quais sem possibilidades mínimas para desenvolver o que quer que seja.

No encontro, os agricultores, fazendeiros, líderes de movimentos cooperativos e associações de camponeses, apontaram, ainda, o mau estado das vias de acesso aos campos agrícolas.

Aos fazendeiros, José Silva  recomendou o recurso a créditos bancários e prometeu o engajamento das autoridades no estabelecimento de parcerias com o empresariado estrangeiro. Os apoios do Governo, prosseguiu, estão agora mais virados para o apoio à agricultura familiar.

No segmento da agricultura familiar, de acordo com a Angop, as preocupações colocadas têm a ver com a falta de motobombas, diques, açudes e chimpacas para irrigação das culturas e bebedouros para o gado. O problema do escoamento dos produtos também foi levantado pelos camponeses.

O director do Gabinete da Agricultura e Florestas em Benguela foi informado do  surgimento de uma doença bovina contagiosa no município e lamentou o facto de 33.000 criadores dos 37.000 existentes na circunscrição se furtarem à campanha de vacinação organizada pelas autoridades.

O município da Ganda está há um mês sem chuvas, situação que preocupa as autoridades. O presidente da União das Associações de Camponeses e Cooperativas Agrícolas (Unaca) na Ganda, Modesto Julião, disse não alimentar grandes esperanças, este ano, nas colheitas  de milho e feijão, devido à escassez de chuvas, associada ao início tardio da campanha agrícola na região.

A estiagem, lembrou, é um fenómeno cíclico, que acontece todos anos, e cuja saída passa pela aquisição de motobombas para irrigação, estando os camponeses com dificuldades por falta de meios financeiros.

Os camponeses associados em cooperativas deixaram de beneficiar de crédito agrícola há mais de cinco anos, estando muitas motobombas adquiridas no passado avariadas, afirmou.

Com a ausência de chuvas na Ganda, já se faz sentir a escassez de produtos agrícolas nos mercados locais e os poucos que aparecem são adquiridos a preços altos. A título de exemplo, um quilograma de milho, antes vendido a 70 kwanzas, custa agora 150, a mesma quantidade de fuba que era comercializada a 150 kwanzas custa agora 200, enquanto um quilograma de feijão passou de 300 para 400 kwanzas.

Na Ganda, a Unaca controla 14.971 famílias camponesas, incluindo 6.356 mulheres, enquadradas em 20 cooperativas e associações agropecuárias.


 

 

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