Economia

Feira do Dondo tem fraca adesão

Marcelo Manuel | Dondo

A Feira do Dondo, que decorreu até ontem na histórica vila, ficou marcada pela fraca adesão de visitantes, numa altura em que a região regista fortes chuvas.

Feira do Dondo junta num só espaço pessoas de diversas origens e culturas o que permite a criação de um espírito único de angolanidade
Fotografia: Marcelo Manuel | Edições Novembro

Além das condições atmosféricas inapropriadas, os especialistas atribuem o insucesso a uma falta de estratégia de marketing e publicidade de forma atempada e oportuna para a mobilização de turistas nacionais e internacionais .
Já na sua oitava edição, a feira realizou-se nos dias 15, 16 e 17 de Dezembro, com o propósito de criar negócios nas áreas do turismo, gastronomia, venda de produtos de origem agrícolas, artesanato, pintura, livros e refrigeração. O certame contou com a participação de 300 expositores, oriundos de Cabinda, Bengo, Malanje, Luanda, Cuanza-Sul e Norte, Lunda-Norte e Uíge.
O expositores falaram de umfraco volume  de negócios e de arrecadação de receitas, criando desalento para quem investiu num  negócio do qual esperava lucrar.
Marcos André, dono de uma hospedaria com 12 quartos, conta que nas edições anteriores da Feira do Dondo chegou a facturar em média 300 mil kwanzas por dia, com a acomodação de hospedes, venda de comidas e bebidas. Mas desta vez, obteve apenas 50 mil kwanzas.
“Nas edições anteriores, a feira era realizada entre os meses de Agosto e Setembro. Ao passar para Dezembro, acredito que muitos angolanos estiveram desinformados em relação ao evento, daí a fraca adesão e poucos negócios”, disse. O hoteleiro preconizou a criação de uma estratégia de marketing e de publicidade  para mudar o quadro nas próximas edições. Sebastião Miguel expositor  vindo da província de Cabinda e artesão há 40 anos, profissão que lhe foi ensinada pelo pai, participou pela primeira vez no evento. Levou ao Dondo 200 peças esculpidas em madeira,  com as quais esperava arrecadar perto de 320 mil kwanzas ao contrário dos 40 mil conseguidos.
O artesão gastou 80 mil kwanzas o bilhete de passagem e o pagamento da sua carga, de Cabinda para Luanda. O certame, para ele, só provocou prejuízos. Considera-se sem motivações para voltar em próximas edições. Para aliviar os custos de passagem de volta à sua terra natal, deixa as suas peças com os primos e amigos na capital do país, onde acredita  poderem ser vendidas.
O responsável da Estação de Desenvolvimento Agrária (EDA) de Cambambe, Manuel Mateus, considerou a Feira do Dondo a maior oportunidade de negócios para os camponeses locais, que aproveitam o evento para a venda dos seus produtos sem se ausentarem do município.
Neste ano, apenas 18 agricultores participaram, dos 50 previstos, uns por falta de conhecimento, outros por estarem sem condições de transporte para carregar os mantimentos até ao recinto de vendas. Manuel Mateus acredita que a situação pode ser revertida em próximas edições, caso haja maior divulgação do evento.

Mais divulgação
O sociólogo Pimentel da Conceição disse que a feira do Dondo deve ser realizada com acções de marketing  e de comunicação institucional  atempadas e oportunas, para que um maior número de turistas e empreendedores adiram ao evento.
O sociólogo caracteriza a realização da Feira do Dondo como um acontecimento histórico e cultural, atendendo à sua criação, no século XVII, numa época em que foi considerada a maior bolsa de negócios do centro-norte de Angola.
A Feira do Dondo possui um contexto sociológico específico, por juntar num único espaço pessoas de diversas origens e culturas, facto que, no entender do sociólogo, permite a criação de um espírito único de angolanidade e abre premissas para a coesão nacional.
 Pimentel da Conceição manifestou-se satisfeito com a introdução de alguns elementos inovadores, como é o caso da aparição, nos últimos anos, de empresas do ramo livreiro e outras de carácter industrial, que dão um cunho mais académico e económico ao evento que honra a vila Dondo.

                                                            Certame expõe produtos de cinco províncias

O director provincial da Cultura no Cuanza-Norte, David Buba, embora reconheça a necessidade de uma maior divulgação do evento, fez um balanço positivo da realização da oitava edição da Feira do Dondo, a julgar pela adesão das províncias do Bengo, Lunda-Norte, Uíge, Cuanza-Sul e Luanda, facto que, na sua perspectiva, abre uma nova era na troca de experiências e intercâmbio entre expositores.
Segundo o responsável da Cultura do Cuanza-Norte, os visitantes da Feira do Dondo tiveram a oportunidade de apreciar as potencialidades do corredor do rio Cuanza e a forma como se processam os negócios dos vários produtos, quer sejam de índole artesanal quer industrial. Em relação ao fraco volume de negócios registados, David Buba apontou como principais causas o contexto da crise económica mundial, associado ao pagamento tardio dos salários da função pública.
David Buba  manifestou-se satisfeito com a participação dos mais de 300 expositores, ao contrário dos 200 previstos, mas avançou a necessidade de maior divulgação do evento, tanto em português, como nas línguas africanas de Angola, por forma a valorizar e rentabilizar a feira.
A oitava edição da Feira do Dondo foi aberta na sexta-feira pelo secretário de Estado da Cultura, João Constantino, que   destacou a importância do evento para o contexto sociocultural e económico do país.

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