Economia

FMI apela à cooperação para reduzir desequilíbrios globais

O Fundo Monetário Internacional (FMI) destacou ontem a importância da cooperação entre as instituições financeiras multilaterais e bancos centrais no sentido da “redução dos desequilíbrios globais através de políticas macroeconómicas e estruturais que apoiem o crescimento sustentável”.

Direcção do Fundo Monetário Internacional reuniu ontem com todos os ministros das Finanças
Fotografia: Dr

No comunicado de encerramento da Reunião de Primavera, que decorreu em Washington, o Fundo afirma que a economia mundial continua a crescer, ainda que abaixo do previsto em Outubro, mas enfrenta ameaças várias como “tensões comerciais”, “incertezas políticas”, “riscos geopolíticos” e um “repentino aperto das condições financeiras num contexto de limitação das políticas, níveis da dívida historicamente elevados e aumento das vulnerabilidades financeiras”.
O comércio de bens e serviços livre, justo e com benefícios mútuos, “é um motor fundamental para o crescimento económico e para a criação de emprego”, pelo que, neste sentido, o FMI reconhece “a necessidade da resolução das tensões no comércio e apela à reforma da Organização Mundial do Comércio por forma a melhorar o seu funcionamento”, de acordo com o mesmo texto. O FMI sustenta que o crescimento deverá “firmar-se em 2020”, mas, para tal, “as políticas orçamentais deverão reconstruir amortecedores,onde eles forem necessários, ser flexíveis e amigas do crescimento e encontrar o equilíbrio entre a sustentabilidade da dívida, estímulo da procura, evitando medidas pró cíclicas e garantindo os objectivos sociais”.
Os bancos centrais deverão garantir, através das suas políticas monetárias, a manutenção do controlo da inflação e as suas decisões terão que continuar a ser bem comunicadas e sustentadas pelos dados disponíveis. “Vamos estar a monitorizar e, quando necessário, vamos atacar as vulnerabilidades financeiras e ameaças à estabilidade financeira que ocorram, incluindo com ferramentas macroprudenciais”, assinala o comunicado.

Volatilidade do câmbio

O FMI “reconhece” que a volatilidade excessiva ou movimentos desordenados nas taxas de câmbio podem ter “implicações adversas na estabilidade económica e financeira”, pelo que os seus 189 membros, reunidos em Washington se comprometem a refrear as desvalorizações competitivas e a não se servirem das taxas de câmbio com propósitos competitivos”.
O Fundo considera “crítico” que as reformas financeiras e estruturais avancem como forma de “estímulo do crescimento potencial e do emprego, reforço da resiliência e promoção da inclusão”. Neste sentido, reforça a importância da finalização, “tão rápida quanto possível”, da reforma do sector financeiro e de uma rápida avaliação dos seus efeitos.
Antes dos encontros dos painéis das políticas do FMI e do Banco Mundial, que se realizaram ontem, e de que resulta este comunicado apresentado pela comissão directiva do Fundo, os ministros das Finanças e os presidentes dos bancos centrais do grupo das 20 maiores economias do mundo (G20) reuniram-se, quinta e sexta-feira, e concordaram na revisão em baixa das previsões de crescimento mundial do FMI.
A delegação angolana liderada pelo ministro das Finanças, Archer Mangueira, integrou o titular da pasta da Economia e Planeamento e o governador do BNA, Pedro Luís da Fonseca e José de Lima Massano, bem como a directora da Unidade de Informação Financeira (UIF), Francisca de Brito.
Archer Mangueira assinou, na terça-feira, um acordo de assistência técnica na área do combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo com o Tesouro dos Estados Unidos.

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