Economia

Fracas chuvas prejudicam produção no Virei

João Upale | Virei

As safras previstas para a presente campanha agrícola, no município do Virei, província do Namibe, estão aquém do esperado, devido a poucas chuvas na região e à praga do Matrindindi, informou o director da Repartição Municipal da Agricultura e Pecuária, Fernando Tetêmbwa Gonçalves.

Fotografia: DR

O responsável assegurou ao Jornal de Angola que os camponeses da comuna de Cainde, que se dedicam essencialmente ao cultivo de massango e a massambala, “sofreram um desastre”, pela interrupção das chuvas, numa altura em que a produção estava em maturação e “quase tudo se perdeu, embora se esteja a colher alguma coisa, diferente daquilo que esperávamos”.

Segundo Fernando Tetêmbwa Gonçalves, na localidade a produção agrícola é feita por mais de 620 famílias camponesas, num espaço com cerca de dois mil hectares de lavras familiares separadas e essas lavras familiares vão baixando de regadio, porque a maior parte faz o sequeiro nas montanhas e colinas.


Sede municipal

Já a nível da sede municipal, Virei, onde a agricultura é baseada no cultivo de milho e hortícolas, também não há bons resultados, por escassez de chuvas e pela presença de pragas, que beneficiaram do facto de a comunidade camponesa ter um fraco poder de compra de pesticidas.

Para o agrónomo, a fraca capacidade de compra de fertilizantes por parte dos camponeses não facilitou, apesar de que, agora, em função da situação ambiental o Matrindinde, que tem provocado o maior prejuízo económico na produção local, está a desaparecer e os camponeses estão de volta aos campos, lançando novas sementes de hortícolas, como a couve, cebola e tomate.

Grande poder financeiro

Os camponeses com algum poder financeiro foram os que melhor sorte tiveram na campanha agrícola, por terem protegido os respectivos cultivos com as insecticidas compradas, que permitiram colher mais de 900 caixas de tomate, isto na localidade de Mununga (Virei sede).

O responsável da agricultura no Virei assegurou à administração que tem feito um grande trabalho na aquisição de material de produção para os camponeses, mormente enxadas, catanas, charruas, moto-bombas, mangueiras, bem como sementes e insecticidas, por intermédio do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), com o suporte do Gabinete Provincial da Agricultura, que fornece outros insumos e imputes agrícolas, além de formação, com vista a melhorar as técnicas de cultivo e de criação de animais.

Produção de carne

O Virei detém 60 por cento da população caprina, que muito tem influenciado na produção de carne. Com a chuva que caiu ultimamente, os criadores estão a obter um retorno positivo daquilo que perderam com a morte de animais na época passada, resultante da seca severa.

O director fez saber que neste momento a maior parte do gado bovino ainda continua fora das localidades de origem, já que a maioria dos criadores de animais se deslocou da região em busca do pasto. “Mas, já conseguimos ver alguma manada a regressar e isto indica que já existe um efectivo bovino que satisfaz.”

A Repartição da Agricultura e Pecuária anunciou, para o final deste mês ou princípio do próximo, o arranque da campanha de vacinação do gado bovino. Quarenta mil doses de vacina, garantidas pelo Departamento de Serviços Veterinários, estão disponíveis. Também, um matadouro local foi criado e deve ser operacionalizado brevemente.

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