Economia

Fundo identifica oportunidades de negócio

O Fundo Activo de Capitais de Risco Angolano (FACRA), instrumento financeiro público, desenvolve uma missão de trabalho desde quinta-feira na província do Cuanza Norte, para identificar junto da classe empresarial oportunidades de negócio nos vários segmentos da economia local.

Projectos agrícolas são prioridade para o financiamento do fundo de capital de risco
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro


Em declarações à Angop, o membro da Comissão de Investimentos do FACRA, Teodoro Poulson, destacou as potencialidades agrícolas e hídricas da região, como factores que podem atrair investidores.
“Verificamos que há grandes investimentos no sector agrícola, que é uma das nossas prioridades para o desenvolvimento do sector do agro-negócio. Vimos algumas iniciativas agrícolas que podem ser desenvolvidas do ponto de vista do processamento de produtos do campo para servirem a província e o país, bem como para exportar”, ressaltou.
O responsável revelou que a comitiva do FACRA, que trabalha na província no quadro  da I Feira Internacional do Cuanza Norte, já identificou várias oportunidades, que podem ser alinhadas à estratégia da instituição.
O FACRA, explicou, é um fundo de âmbito nacional que, em função das iniciativas existentes na província, vai escolher aquelas que podem ser financiadas pela instituição, no quadro do seu pacote global de investimentos.
Neste momento, realçou, o fundo tutelado pelo Ministério da Economia conta com um capital de 250 milhões de dólares norte-americanos em kwanzas, para apoiar as micro, pequenas e médias empresas com problemas de liquidez.
“É dentro desta disponibilidade que sairá algum montante para projectos empresariais no Cuanza Norte”, frisou.
Teodoro Poulson lembrou que, desde a sua criação em 2012, o FACRA já investiu cerca de 3,2 mil milhões de kwanzas em 21 projectos empresariais nas províncias de Luanda, Benguela e Huambo, entre outras regiões, contribuindo para a criação de 317 empregos directos e 135 indirectos.
O FACRA, esclareceu, investe em micro, pequenas e médias empresas em fase de arranque, crescimento, inovação e expansão, com elevado potencial de desenvolvimento e capacidade de criar empregos qualificados dentro de um projecto sustentável. “As empresas investidas pelo FACRA têm um acompanhamento directo, do ponto de vista estratégico e financeiro, ao longo do ciclo de vida do negócio”, acrescentou.
Teodoro Poulson considerou o FACRA um instrumento poderoso para a diversificação da economia  e alternativa ao financiamento de capital a longo prazo para os empresários locais. O fundo, precisou, actua nos sectores das tecnologias, agricultura, piscicultura, pecuária, criação de aves, produção de materiais de construção, indústria de transformação, prestação de serviços nas áreas de cuidados de saúde, logística, informática, educação, turismo e biotecnologia. Consequentemente, não apoia projectos dos sectores imobiliário, mineração, petróleo e gás.
O Fundo Activo de Capital de Risco Angolano, criado ao abrigo do Decreto Presidencial n.º 108/12 de 7 de Junho de 2012, tem um período de vigência de 10 anos, com uma perspectiva de extensão para mais cinco. A escassez de divisas no mercado nacional constitui um problema que está a dificultar a importação de matérias-primas para o funcionamento da indústria local, disseram investidores da província do Cuanza Norte presentes na I Feira Internacional de Negócios, que terminou ontem.

Escassez de divisas

Os empresários disseram estar empenhados em aumentar os níveis de produção, mas debatem-se com problemas na importação de matérias-primas, resultado da dificuldade no acesso às divisas.
O gerente da fábrica de água mineral  Cristalis, situada em Ndalatando, Carlos Ferreira, referiu que, devido ao actual contexto difícil da economia nacional, aliado à escassez de divisas para a importação de cápsulas, maquinaria e outros equipamentos, a empresa baixou a produção e reduziu o número de trabalhadores de 30 para 18.
Por seu turno, o gerente da fábrica KNG, situada na localidade de Cambondo, município do Golungo Alto, Denis Mel, disse que a empresa tem duas linhas de montagem de motas e bicicletas, mas regista uma baixa significativa nos níveis de produção, pela mesma razão.
Essa queda de produção, reforçou, é motivada pela escassez de divisas no mercado nacional para importação de peças e maquinaria para o normal funcionamento da fábrica.
A KNG monta diariamente 100 motas, com cilindradas que variam entre os 50 e os 400 centímetros cúbicos, para uso individual e transporte de carga. “A empresa emprega 20 trabalhadores, todos nacionais e residentes no município do Golungo Alto”, salientou. A I Feira Internacional de Negócios do Cuanza Norte esteve aberta ao público durante três dias, com a  participação de mais de 100 empresas, entre nacionais e estrangeiras de diversos sectores.

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