Economia

Governador considera novidade os “meandros” do Luanda Leaks

O governador do Banco Nacional de Angola (BNA) declarou ter tomado conhecimento “como a maior parte das pessoas”, das revelações do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação sobre o enriquecimento indevido da empresária Isabel dos Santos, considerando-as novidades, pois não conhecia os “meandros” dos esquemas.

O governador do Banco Nacional de Angola (BNA) declarou ter tomado conhecimento “como a maior parte das pessoas”, das revelações do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação sobre o enriquecimento indevido da empresária Isabel dos Santos, considerando-as novidades, pois não conhecia os “meandros” dos esquemas. José de Lima Massano falava numa conferência de imprensa realizada para anunciar as decisões da reunião do Comité de Política Monetária do BNA, realizada ontem, em Luanda, para decidir sobre a evolução dos juros. O governador afirmou que, em relação às revelações, cabe aos órgãos de justiça “fazerem o seu trabalho”, sublinhando que o BNA “tem em curso um conjunto de acções que visam melhorar todo o processo que tem a ver com idoneidade dos que investem” no sistema financeiro angolano “e dos que se encarregam da sua gestão”. O BNA, adiantou, “actuou sempre que houve sinais” e está a melhorar os processos relativos à idoneidade de quem investe no sistema financeiro. O governador indicou que esta actuação “tem regras”, explicando que no caso dos bancos comerciais qualquer operação considerada suspeita obriga a uma declaração transmitida à unidade de informação financeira. Assinalou que foi feito “um progresso assinalável” na preparação da banca co-mercial angolana no que se refere ao branqueamento de capitais, anunciando a continuidade dessa actuação em 2021 e 2022, quando o Grupo de Acção Financeira realiza uma avaliação da resiliência do sistema financeiro no combate a práticas que violem estes princípios. “Os regulamentos, as práticas que temos vão nesse sentido, protegermos as nossas instituições financeiras contra crimes financeiros da mais variada ordem”, destacou o responsável.

Manutenção dos juros
O Comité de Política Monetária do BNA manteve a Taxa BNA em 15,5 por cento no fim de reunião bimensal, realizada ontem para analisar a evolução da economia ao longo dos meses de Novembro de Dezembro. A reunião decidiu também manter as taxas de juro das facilidades permanentes de absorção de liquidez overnight e a sete dias em 0,00 e 10 por cento, respectivamente, bem como os coeficientes de reservas obrigatórias em moeda nacional e estrangeira em 22 e 15 por cento. O comunicado final da reunião, lido pelo governador do BNA em conferência de imprensa, refere, como explicação para as decisões que, no mês de Dezembro, o Índice de Preços no Consumidor apresentou uma variação homóloga de 1,91 por cento, mantendo a trajectória de desaceleração e fixando-se em 16,9 por cento, o nível mais baixo desde 2015. “Constata-se a manutenção do processo desinflacionista que permitiu o alcance do objectivo de inflação anual, não obstante o aumento de tarifa de energia a introdução do IVA, do Im-posto Especial de Consumo, bem como da depreciação cambial ocorrida particularmente no último trimestre de 2019”, afirmou José de Lima Massano.

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