Economia

Governo compra animais debilitados pela estiagem

O programa de emergência de compra de gado bovino debilitado, em consequência da seca, nas províncias do Cunene, Namibe e Huíla, começa a ser executado nas próximas semanas, devendo abranger, numa primeira fase, segundo a Angop, 1.200 cabeças.

Programa fixa em 100 mil kwanzas o preço de cada cabeça
Fotografia: Rafael Tati | Edições Novembro

Lançado pelo Governo, em Agosto, o programa começa a ser operacionalizado tão logo estejam disponíveis as verbas para a compra dos animais. O gado será adquirido com recurso ao Orçamento Geral do Estado, como avançou o ministro da Agricultura e Florestas, António Francisco de Assis, no acto de lançamento do programa.
Segundo o Instituto dos Serviços de Veterinária (ISV), sessenta por cento do gado (720 cabeças) serão adquiridas na província do Cunene, 20 (240 cabeças) na Huíla e igual número no Namibe.
O programa, de acordo com o director-geral do ISV, Norberto Pinto, fixa em 100 mil kwanzas o preço mínimo por cada animal, para permitir aos criadores adquirirem bens de primeira necessidade, criarem condições de subsistência para os animais e minimizarem os efeitos resultantes da seca.
Por implicar o uso de fundos públicos, disse Norberto Pinto, foi celebrado um contrato com uma cooperativa de criadores que vai operacionalizar todo o programa.
Depois de adquiridos e após um processo de melhoria nas instalações da cooperativa, prosseguiu, os animais serão transferidos para estações zootécnicas afectas ao Instituto de Investigação Veterinária (IIV) nas províncias da Huíla, Namibe e Cunene, onde já estão a ser criadas as condições.
Norberto Pinto adiantou que, após a recuperação do gado nas estações zootécnicas, uma parte será usada para o repovoamento do planalto de Camabatela (zona que abrange as províncias do Cuanza-Norte, Uíge e Malanje) e a outra será devolvida às zonas de origem para atenuar os efeitos da seca. Dentro das obrigações contratuais, referiu, a cooperativa vai mobilizar recursos humanos e materiais para dinamizar o processo.

Fase piloto
Norberto Pinto lembrou que o processo teve início com uma fase piloto, que permitiu a compra de 56 cabeças no Cunene, prestes a serem transferidas para as estações zootécnicas do IIV.
O gado adquirido na fase piloto, explicou, permitiu definir a melhor modalidade de aplicação do projecto emergencial na região sul e aferir o estado sanitário e nutricional dos animais, bem como interagir com os criadores.
Nessa fase, prosseguiu, verificou-se que a maior parte do gado imbuído no processo de transumância já se encontra no corredor entre os municípios dos Gambos e da Matala, província da Huíla, depois de terem passado por Cuvelai (Cunene).
Para o controlo de doenças, disse, o ISV intensificou as medidas de vigilância.

Aproveitamento
A situação da seca motivou o aproveitamento de comerciantes, que aliciavam os criadores de gado para venderem os animais a preços baixos.
Norberto Pinto explicou que, por causa dessa postura, os criadores estavam a vender os animais debilitados ao preço de 10 mil kwanzas por cabeça. “Os preços, muitas vezes, eram determinados pelos compradores, o que não compensa o esforço e custos empregues no processo de criação dos animais”, afirmou.

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