Economia

Governo prepara um novo Plano Director do Turismo

Miguel Gomes

O Ministério do Turismo e a organização do Fórum Mundial do Turismo (WTF, na sigla em inglês) estão a trabalhar na actualização do Plano Director Nacional do Turismo, um documento aprovado em 2011, anunciou ontem, em Luanda, a titular do pelouro, Ângela Bragança.

Ministra do Turismo, Ângela Bragança, ao anunciar medidas para impulsionar o sector
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

O documento irá incluir novas medidas de dinamização para os pólos turísticos de Cabo Ledo e Futungo de Belas (Luanda), Calandula (Malanje) e Okavango (Cuando Cubango). O sector do turismo enfrenta o grande desafio de criar condições para o investimento privado ao mesmo tempo que é necessário renovar e criar melhores infra-estruturas um pouco por todo o país (água, energia, estradas e aeroportos funcionais).

Para a ministra do Turismo, o plano director carece de actualização, de melhoramentos, de inserção de novas ideias e de uma melhor estruturação dos objectivos e metas a atingir.
“Para já, temos de reconhecer que, desde 2011, investimos muito pouco nos pólos turísticos. O melhor exemplo é Cabo Ledo que, apesar de ter bastantes terras ocupadas (muitas delas sem qualquer previsão de investimento) ainda não tem infra-estruturas de água e luz, entre outras valências”, explicou Ângela Bragança, em conferência de imprensa.
A governante espera que o Fórum Mundial do Turismo, que se vai realizar na capital do país entre os dias 23 e 25 de Maio, seja uma oportunidade para debater o futuro dos pólos turísticos criados em 2011 e do sector em geral.
“Teremos aqui, em Luanda, representantes de grandes cadeias hoteleiras e de promoção turística”, explica Ângela Bragança, enquanto defendeu que 2019 “é o ano de arranque das acções concretas, fora da mera retórica, de relançamento do sector do turismo”.
Até ao momento, Angola é um destino com problemas de reputação (ainda a questão do conflito armado, das minas, da criminalidade e da corrupção). O país não tem em operação nenhuma das grandes cadeias internacionais de hotéis, apesar das diversas manifestações de interesse, um sinal que causa alguma estranheza no seio de investidores e agentes internacionais do sector.
“Têm sido efectuados alguns contactos e temos recebido algumas intenções, como é o caso dos franceses da Accor, por exemplo”, disse Ângela Bragança.
A multinacional chegou a entrar num acordo de gestão e exploração dos hotéis da antiga seguradora AAA, mas o negócio caiu por terra passados poucos meses. Olivier Granet, responsável da Accor para o Médio Oriente e África, será um dos oradores do Fórum Mundial do Turismo.

Presidente quer viabilizar os vistos

Para o Ministério do Turismo, Angola tem um enorme potencial turístico em quase todos os segmentos: praia e sol, vida selvagem, deserto, história, entre outros.
Mas apesar das alterações legislativas efectuadas na emissão de vistos de turismo, as reclamações de potenciais visitantes continuam em alta: queixam-se dos elevados preços, do mau serviço prestado pelas embaixadas e postos consulares espalhados pelo mundo e da própria burocracia que ainda afecta o processo.
“Temos noção de muitas dessas advertências mas estamos no espírito de corrigir o que está mal. Neste momento podemos garantir que os vistos de fronteira estão a funcionar, que a área de recepção de passageiros no aeroporto internacional já evoluiu muito, mas também reconhecemos que ainda pode ser bastante melhor”, acredita Ângela Bragança.
“Inclusivamente, o Presidente da República já nos alertou que não quer ouvir falar mais em problemas com a emissão de vistos”, conta a titular da pasta do turismo. “As leis foram alteradas, as instituições existem e devem ser estas a resolver os eventuais constrangimentos”, disse.
Para o Fórum Mundial do Turismo estão também confirmadas as presenças do Presidente da República, João Lourenço, François Hollande (antigo Presidente francês), Jack Straw (antigo ministro das Relações Exteriores do Reino Unido) e de representantes da Turquia, França e de grandes multinacionais do sector como a Booking (aplicação para a marcação de hotéis e viagens via Internet).

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