Economia

Governo vai analisar cobranças em divisas

Victorino Joaquim

A cobrança de vistos em moeda estrangeira, nos consulados instalados em Luanda, pode vir a ser discutida entre os Ministérios da Hotelaria e Turismo, das Finanças e das Relações Exteriores, por violar a determinação sobre os pagamentos que sejam feitos em kwanzas, no país.

Ministra quer estabelecer boas práticas na Hotelaria e Turismo
Fotografia: Contreiras Pipa | Edições Novembro

O anúncio foi feito na sexta-feira, em Luanda, durante a deslocação da ministra da Hotelaria e Turismo, Ângela Bragança, a nove empreendimentos do sector, os hotéis Epic Sana, Presidente, Trópico e Skina, bem como as agências de viagens Sol, Valéria Tours, Tropicana, Travel Gest e Charme, em que obteve explicações sobre o curso das operações.
Ângela Bragança afirmou não ter ainda “domínio total do assunto”, mas lembrou que os pagamentos em Angola devem ser efectuados em moeda nacional, o kwanza, e que toda e qualquer acção contrária deve ser apreciada e ser alvo de medidas ou de novas orientações por parte das instituições que regem o sector da economia.
A ministra garantiu que o ministério que dirige, o das Finanças e o das Relações Exteriores vão analisar o assunto, que figura entre as dificuldades da emissão de vistos a turistas angolanos para o estrangeiro.
Ainda sobre os problemas que se colocam nas operações do turismo nacional, o primeiro dos que foram apresentado pelas unidades hoteleiras e agências de viagens depois da reforma cambial de Janeiro, tiveram o potencial de competitividade afectado, pela incapacidade de uniformizar os preços.
Ângela Bragança reconheceu que os preços, de si nem sempre são favoráveis, com a falta de referências ou mesmo de uniformização, levam alguns clientes a acusarem as agências de especularem deliberadamente.
“Vamos dialogar até ao limite, no sentido de que haja, no país, uma prestação de serviço que satisfaça os clientes, beneficie as agências e o país em termos de arrecadação de receitas”, prometeu a ministra, que considerou haver “ certo exagero” por parte das operadores e clientes.
“Temos de considerar que em certos países pagamos preços elevados, mas devido à qualidade do serviço prestado. Aqui, em Angola, também pretendemos que sejam prestados  serviços de qualidade”, declarou.
A ministra pediu aos hoteleiros para  fazerem a abordagem de preços baseada na redução de custos, como fez o hotel Presidente que utiliza a energia solar para aquecimento de água. “São soluções que,a serem implementadas por outros gestores hoteleiros, podem servir para a redução de custos operacionais”, disse a ministra.
Ângela Bragança disse que uma solução mais ampla pode passar por uma parceria com o Ministério da Indústria, para se criar no país um sector de produção de equipamento e materiais  hoteleiros.
Durante a manhã e parte da tarde de sexta-feira, a ministra sempre acompanhada por quadros do ministério e representantes de Associações de operadores, visitou hotéis e agências de viagens situados nos distritos da Ingombota.
Ângela Bragança esteve no Hotel Epic Sana, uma unidade com 21 pisos, 288 quartos e uma taxa de ocupação de cerca de 50 por cento, Hotel Presidente, com 26 pisos, 262 quartos e uma taxa de ocupação reduzida de 60 para 30 por cento nos últimos dias, Trópico, de 24 pisos, 280 quartos e taxa de ocupação abaixo de 50 por cento, e o Hotel Skina, com 14 pisos, 232 quartos e uma taxa de ocupação de cerca de 45 por cento.
Visitou as agências de viagens Sol, Valéria Tours, Tropicana, Travel Gest e Charme, onde observou os escritórios e as salas de trabalho.

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