Economia

Instalação de interesses comerciais descaracteriza a Cascata da Huíla

João Luhaco | Lubango

Considerado uma dos principais atracções do turismo no Sul de Angola, a Cascata da Huíla, 20 quilómetros a sul da cidade do Lubango, vem perdendo progressivamente as suas características nos últimos anos, devido à instalação de interesses comerciais na área, segundo o presidente da Associação dos Guias de Turismo e Servidores Artísticos de Angola (AGTSA), Carlos Bumba.

Fotografia: DR

“A implantação de interesses comerciais está a alterar e a descaracterizar o aspecto natural da Cascata da Huíla, uma zona paisagística de interesse turístico por excelência”, sublinhou Carlos Bumba ao Jornal de Angola.
Carlos Bumba sublinhou que na parte mais alta da cascata, a conduta de água foi desviada para a irrigação de algumas fazendas e o local só volta ao seu aspecto natural quando chove bastante. “Ainda assim, surgiu alguém a montar ao lado um restaurante, criando algumas barreiras à passagem, impedindo uma observação rigorosa dos aspectos estéticos. É triste, mas já estamos a perder a Cascata da Huíla do ponto de vista turístico”, desabafou o líder dos guias.
Com árvores frondosas de velha idade que formam um pequeno pomar, para onde as pessoas afluem em busca de lazer, a Cascata da Huíla é, como o Cristo Rei, Fenda da Tundavala e Nossa Senhora do Monte, um dos roteiros turísticos tradicionais do município do Lubango.

Movimento turístico
Carlos Bumba reconheceu, contudo, que o movimento de turistas nacionais deu um salto considerável, referindo mesmo que, em Angola, o tema do turismo tornou-se no diálogo da actualidade. “Hoje já se fala mais do turismo, começa a despontar a sensibilidade para a cultura do turismo interno”, afirmou.
Com a entrada em vigor da Lei dos Feriados Nacionais, Locais e Datas de Celebração, esse movimento cresceu consideravelmente, embora a ausência de investimentos figure como um desafio a vencer pelo sector. “Esse movimento turístico é prejudicado pela falta de uma prestação de serviços à altura e, por isso, as pessoas preferem fazer uma espécie de turismo familiar”, apontou.
“Muitos turistas preferem ficar em casas de amigos ou parentes, evitando hotéis ou pensões que praticam preços um pouco elevados”, referiu Carlos Bumba, assumindo que existem alguns espaços turísticos descuidados e abandonados, para os quais são necessários investimentos.

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