Economia

Investimento no sector da Energia cai 20 por cento

O sector da Energia corta este ano, em todo o mundo, cerca de 20 por cento das despesas de investimento em consequência da expansão da pandemia Covid-19, prevêem os consultores da Munich Partners, num estudo relativo a Maio que também avança análises sobre as evolução desse domínio económico em Angola.

As empresas estão a canalizar os esforços para adaptar as operações à nova dinâmica do mercado
Fotografia: DR

O documento, consultado hoje pelo Jornal de Angola, cita dados da Agência Internacional de Energia (AIE) a afirmarem que 32 por cento dos investimentos previstos para o upstream do sector do petróleo e gás foram cancelados em 2020 devido à quebra da procura e dos preços. De acordo com os autores, embora ainda prevaleçam muitas questões em aberto sobre os efeitos de médio e longo prazo da pandemia da Covid-19 na economia mundial, existe já a certeza de que a propagação do vírus pelo mundo provocou a maior quebra de investimento nos vários ramos do sector energético na história.

As empresas estão a canalizar os esforços para adaptar as operações à nova dinâmica do mercado, assegurando os fluxos financeiros necessários e a integridade dos trabalhadores, aponta o estudo.  As restrições à movimentação de pessoas e bens, como como ao fornecimento de equipamento tiveram como consequência interrupções transversais no plano de investimento das empresas, afirmam os autores, indicando que, no sector petrolífero, o cenário foi agravado pela redução acentuada do consumo e dos preços, e pela incerteza quanto à evolução destas duas variáveis no futuro.

De acordo com o documento, depois de uma trajectória comparativamente estável do preço do petróleo nos mercados internacionais no início do ano em curso, a matéria-prima foi a principal afectada pela conjuntura mundial que se observou desde Março e que precipitou a sua volatilidade. Para ilustrar essa conclusão, lembra o “fenómeno inédito” verificado a 20 de Abril último, quando o West Texas Intermediate (WTI, petróleo de referência dos Estados Unidos) chegou a ser negociado em território negativo, a cerca de -40 dólares por barril.

“Perante um cenário de produção excessiva em que a capacidade de armazenamento estava saturada, as empresas produtoras de petróleo viram-se obrigadas a pagar aos traders para se poderem desfazer dos excessos de produção”, recorda o documento ao explicar o colapso dos preços do WTI.
Os autores consideram que o mercado internacional já está perante um cenário de recuperação dos preços, embora uma série de factores continuem a comprometer a recuperação generalizada, como a evolução mundial da Covid-19, incertezas sobre os acordos entre a OPEP e países produtores associados e as tensões entre os Estados Unidos e a China.

Cenário de recuperação

Apesar do excesso de petróleo no mercado, a perspectiva é de que a situação se inverta ao longo dos próximos anos, estima o documento, prevendo que a travagem abrupta das despesas de investimento, aliada à retoma da procura, poderá levar a um défice de cinco milhões de barris por dia e a um preço por barril de 68 dólares. Em função de um processo de reformas levado a cabo ao longo dos últimos anos, registam-se melhorias transversais dos níveis de eficiência das empresas do sector petrolífero.

Em média, verificou-se uma redução superior a 40 por cento no preço do barril, com as empresas a continuarem a apresentar fluxos de caixa positivos, o que prova que o sector está, hoje, melhor equipado para absorver o impacto causado por um cenário como o actual.

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