Economia

Investimentos atinguem quase 120 mil milhões

Helma Reis

Um conjunto de sete novos projectos de investimentos, aprovados no primeiro trimestre deste ano, envolve 117 mil milhões de kwanzas e a criação de 950 novos postos de trabalho, revelou o presidente do Conselho de Administração (PCA) da Sociedade de Desenvolvimento da Zona Económica Especial (SDZEE).

Fotografia: Santos Pedro| Edições Novembro

António Henriques da Silva sublinhou que a aprovação dos projectos, ligados à indústria alimentar, de cosméticos, química (detergentes) e hotelaria e turismo, resulta de acções de divulgação das potencialidades da ZEE dentro e fora do país.
O responsável, que falava durante a inauguração da fábrica de processamento de carnes e enchidos “Mestre Akino”, na ZEE, pela ministra da Indústria, Bernarda Martins, considerou a operação como mais um passo importante no percurso da vitalização da actividade industrial no país.
O PCA da ZEE assegurou que a nova unidade fabril está adequada às novas exigências regulamentares de qualidade e higiene alimentar e que a observação desses critérios naquele complexo industrial faz com que a economia encontre, ali, um factor importante de estabilidade e valorização.

Matéria-prima

A falta de capacidade do mercado para o abastecimento da carne suína às indústrias, que serve tanto para a alimentação como para a produção de enchidos, está a preocupar os empresários angolanos, afirmou Luís Nicácio, administrador da fábrica de carnes e enchidos tradicionais “Mestre Akino”.
O administrador da fábrica disse que esse problema é consequência da recente proibição, pelas autoridades, da importação de carne de porco, no quadro do Programa de Apoio à Produção Nacional, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (Prodesi).
Luís Nicácio salientou que o maior problema para a indústria de processamento de carnes no país está na escassez da matéria-prima. “Os poucos projectos de suinicultura industrial existentes, somados, não totalizam duas mil matrizes, o que constitui uma grande dificuldade.”
Para o empresário, o país não tem incentivos à suinicultura, o que, além de preocupar, leva à decisão de destinar capitais adicionais ao investimento. Disse que a proibição de importação de suínos deve ser aplicada de forma gradual.
O empresário apelou ao Executivo para continuar a apoiar a classe para que haja continuidade da produção nacional e, desta forma, contribuir para a diversificação da dieta alimentar angolana, uma vez que o sucesso do Prodesi depende do envolvimento sério dos empresários, com o devido apoio e incentivo do Executivo.

Novos postos de trabalho

A unidade industrial, com uma área de 680 metros quadrados, é um investimento de quatro milhões de dólares, com capacidade para produzir mensalmente 50 toneladas de enchidos, desde a charcutaria, chouriço corrente e carne salgada.
Numa primeira fase, a fábrica “Mestre Akino” vai gerar cerca de 50 postos de trabalho directos, quase todos reservados a jovens angolanos, com a inclusão de dois especialistas estrangeiros para darem formação contínua aos trabalhadores.
Luís Nicácio disse ainda que a fábrica criou uma rede de fornecedores de matéria-prima, envolvendo Portugal, Espanha e Brasil, numa altura em que diligências estão a ser feitas para que países como a África do Sul e o Zimbabwe, considerados maiores produtores de carne de porco na região austral do continente, sejam incluídos.

Substituição das importações

A ministra da Indústria, Bernarda Martins, considerou que a fábrica surge como uma demonstração de que os empresários têm ouvido o apelo do Executivo sobre a necessidade do aumento da produção e a substituição das importações.
A ministra disse ainda que a unidade fabril vai contribuir para o aumento da produção e assegurar, fundamentalmente, o abastecimento às forças de Segurança e Ordem Interna.
“Nós temos uma capacidade de produção que consideramos diminuta. É preciso que haja mais investimentos, que devem começar pela produção da matéria-prima, isto é, das carcaças, os suínos”, concluiu.

 

 

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