Economia

Central de Laúca começa produção a partir de Julho

Manuela Gomes |

A primeira máquina de produção de energia eléctrica do Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca (AHL) entra em funcionamento em Julho do ano em curso, confirmou ontem, em Luanda, o ministro da Energia e Águas.

Estão a ser efectuados ensaios às máquinas instaladas na Central Hidroeléctrica de Laúca até ao arranque em Julho

João Baptista Borges, que falava num encontro com jornalistas, informou ainda que, na primeira quinzena de Março, Laúca vai beneficiar de um processo de enchimento da sua albufeira (reservatório). Este processo, que obedece a quatro etapas, vai implicar maiores restrições na distribuição de energia a nível nacional. O enchimento do reservatório do AHL implica o desvio do curso de água de Capanda e Cambambe.
Este processo  consiste no ensaios das máquinas que estão a ser montadas na Central de Laúca e manter o nível no reservatório num limite suficiente para começar a operar a partir de Julho deste ano. “O que pretendemos com este processo é aprovisionar combustível (água) para garantir o fornecimento de energia a partir de Julho deste ano, tendo como fonte a barragem de Laúca. Este processo vai não só garantir o funcionamento pleno de Laúca, mas também de Capanda e Cambambe, que neste momento funcionam no médio Kwanza”, esclareceu.
Para compensar a redução no fornecimento, o sector da Energia e Aguas está a concluir a construção do Ciclo Combinado do Soyo, cujo primeiro grupo gerador, com capacidade de 120 mega watts, deve entrar em funcionamento em Maio. João Bapstita Borges lembrou que actualmente o país vive um ano hidrológico seco, o que implica a afluência da água em Capanda e o nível de pluviosidade no centro do país seja baixo. Tendo em conta o nível actual de afluência de água em Capanda, a capacidade de produção de energia em Cambambe será apenas de um terço do normal.
Para entrada em funcionamento das turbinas são necessários 553 metros cúbicos de água por segundo. Por isso, esclareceu, vai ser necessária a retenção de 227 metros cúbicos por segundo para atingir a quota de 800 metros cúbicos até ao dia 12 de Abril. O ministro apontou o AHL como uma obra importante e de grande volume para o país. “Laúca é uma das maiores hidroeléctrica já construídas em África, e naturalmente este sacrifício que estamos a fazer, e que se traduz nas restrições e nas dificuldades de manter o abastecimento regular, vai compensado com a disponibilidade desta hidroeléctrica, a partir de Julho deste ano”, assegurou João Baptista Borges. 
Durante o encontro, o ministro afirmou que a baixa disponibilidade de água, somada aos esforços para o enchimento da albufeira do AHL nas condições descritas, pode gerar limitações na capacidade de geração hidro-energética do sistema norte, durante os próximos meses. Com o objectivo de minorarescassez de água , João Baptista Borges considerou desejável que se armazene a maior quantidade possível de água na albufeira de Capanda, até ao início do processo de enchimento da albufeira de Laúca para garantir a entrada em operação da primeira unidade geradora de Laúca. 
O ministro considerou fundamental o acompanhamento constante das vazões afluentes à Capanda e o envolvimento das entidades responsáveis pela orientação quanto à gestão da albufeira do Laúca.

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