Economia

Empresário Victor Alves o empreendedor do ano

Armando Estrela |

Os dez galardoados da sétima edição dos “Prémios Sirius”, da consultora Deloitte, foram conhecidos na noite de quarta-feira, numa concorrida cerimónia realizada no Hotel Epic Sana, em Luanda, em que participaram perto de 400 convidados dos mais diversos sectores de actividade empresarial do país, membros do Governo e embaixadores.

Elizabete Dias dos Santos, vencedora da categoria em 2016, troca simpatia com o seu sucessor Victor Alves
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Os premiados da edição 2017 foram seleccionados por um corpo de jurados composto pelo engenheiro Fernando Pacheco, pelos doutores Gilberto Luther, Henda Inglês e José Severino e a professora Laurinda Hoygaard.
Segundo o júri, António Nunes eleito “Gestor do Ano”, por dirigir os destinos da Angola Cables “com resultados assinaláveis e por todos reconhecidos, perseguindo a missão de transformar Angola num dos principais centros africanos de telecomunicações”.
O BAI (Banco Angolano de Investimentos) brilhou entre os nomeados do sector financeiro, “considerando os resultados alcançados nos indicadores avaliados, como a dimensão, crescimento, solvabilidade, alavancagem e qualidade dos activos.” O júri entendeu atribuir o prestigiante do sector não financeiro à Lactiangol, por ser uma empresa nacional que opera ininterruptamente no país há 23 anos e que tem sabido afirmar-se pela inovação, sustentabilidade e qualidade dos produtos.
A necessidade de aumentar a capacidade de produção instalada para, assim, aumentar a gama de produtos lácteos, incrementar a eficiência produtiva e melhorar a qualidade dos produtos, estiveram na origem do projecto de modernização e ampliação da unidade industrial. Esse investimento permitiu à empresa duplicar as capacidades de produção instaladas e isso ditou a escolha do júri.
O Standard Bank de Angola (SBA) levou o “Prémio Melhor Relatório de Gestão e Contas - Sector Financeiro”, pelos elevados padrões de rigor e qualidade apresentados, complementados por uma apresentação apelativa, nos diversos indicadores analisados pela consultora Deloitte.
A empresa Omatapalo foi referenciada como “Melhor Relatório de Gestão e Contas - Sector Não Financeiro”, pela “qualidade da peça informativa que publicou e que constitui um bom exemplo a ser seguido”.

Empreendedor do Ano
Apesar dos seus 82 anos, Victor Alves, da Indústrias Alimentares Reunidas de Benguela, o único que sobreviveu de um acidente aéreo há 40 anos, é o exemplo de empreendedorismo. “O exemplo do empresário Victor Alves é uma excelente referência para os empreendedores angolanos, que devem ver neste gestor e empreendedor uma referência e um estímulo para seguirem, com determinação, os projectos empresariais em que acreditam”, justificou o jurado.
A Novagrolíder conseguiu o prémio de “Melhor Empresa Exportadora”. Para o júri, trata-se de uma empresa cujo valor médio das exportações, em 2017, alcançou cerca de 119 milhões de kwanzas por mês, dado que mostra um crescimento de 90 por cento face ao ano anterior. Com o projecto de café biológico para exportação, a previsão de facturação para o primeiro ano é de cerca de 300 milhões de kwanzas. “É uma excelente referência para todos nós, enquanto projecto empresarial”, sublinhou o jurado.
A Acail Angola opera no país desde 2006, como resultado de um investimento do grupo português Acail. Com 204 trabalhadores, a empresa investiu até ao momento cerca de 90 milhões de dólares, aposta essa que incluiu três unidades industriais especializadas na produção de postes em betão, gases medicinais, alimentares e de aço laminado a frio. “É um exemplo de sucesso de um investimento estrangeiro, que tem contribuído para o equilíbrio da balança comercial do país, pela via da substituição de importações”, revelou o júri, ao assegurar a essa instituição o “Prémio Melhor Investimento Directo Estrangeiro”.
O “Melhor Programa de Responsabilidade Social” caiu, com muita surpresa, para a Total E&P Angola, disse o seu gestor. De entre as iniciativas de assistência e responsabilidade corporativas promovidas nas áreas da sustentabilidade energética e formação, o júri destacou as bolsas de estudo no estrangeiro, atribuídas a alunos angolanos, o projecto Escolas Eiffel, que levou estudantes à final das Olimpíadas da Matemática da CPLP, e o sistema de gestão de resíduos nas próprias instalações, através do programa Cotidiano, que apela para uma atitude ecologicamente responsável.
O Banco Caixa Angola ostenta o “Prémio Melhor Programa de Desenvolvimento do Capital Humano”. O vencedor integra e promove programas de desenvolvimento de capital humano, particularmente dirigidos à promoção da qualidade no atendimento e prestação de serviços e também ao desenvolvimento de competências junto dos colaboradores. A recém criação da Academia Caixa Angola é o exemplo mais expressivo deste investimento nos seus talentos.
Finalmente, houve um reconhecimento não previsto em toda a etapa de nomeação dos concorrentes ao Sirius 2017: “O reconhecimento de um líder: Professor Doutor Manuel Nunes Júnior”. “Nesta noite de reconhecimento, o júri e a Deloitte, distinguem também o Professor Doutor Manuel Nunes Júnior, pelo inestimável contributo enquanto presidente do Júri dos Prémios SIRIUS ao longo destes anos”.
“Um Povo, Um País” foi o tema escolhido para uma homenagem especial aos angolanos, principalmente pela forma que se afirma internacionalmente como uma “nação una, coesa, forte e determinada e, acima de tudo, com uma ambição de querer ir mais longe, de fazer mais e melhor, de mostrar ao mundo e a todos quantos a visitam e consigo interagem, um espírito de abertura, de diálogo e de fraternidade”.

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