Fundo Soberano investe para lucrar


7 de Dezembro, 2016

Fotografia: Dombele Bernardo

O Fundo Soberano de Angola (Fsdea) prevê obter lucros dos seus investimentos aplicados no mercado nacional, na África Austral, na América do Norte e na  Europa, a partir do próximo ano,  refere num comunicado a instituição.

O documento, que divulga as contas de 2015, auditadas pela Deloitte & Touche e que reflectem a posição fiscal e de investimento do fundo durante o ano passado, revela que as demonstrações financeiras do Fsdea apresentaram 4,75 mil milhões de dólares de activos a 31 de Dezembro de 2015. Nessa altura, os activos de renda fixa correspondiam a 1,20 mil milhões de dólares, representando 25 por cento da carteira, enquanto os de renda variável estavam avaliados em 620 milhões de dólares (14 por cento da carteira).
Dos 2,7 mil milhões destinados a activos de “private equity” em Angola e na região da África Subsaariana, 407 milhões de dólares já haviam sido investidos. O fundo dedica 62 por cento da carteira de investimentos em Angola e na África Subsaariana, 21 na América do Norte, 11 na Europa e seis no resto do mundo.
Em Angola e no Quénia, o Fundo Soberano investiu já cerca de 200 milhões (19 por cento do total de 1,1 milhões de dólares) em infra-estruturas. No sector hoteleiro, mais de 100 milhões (23 por cento de um total de 500 milhões do capital total) foram investidos em Angola e na Zâmbia. 
O Fundo Mineiro realizou investimentos avaliados em cinco milhões de dólares (dois por cento dos 250 milhões de dólares) na Mauritânia. A instituição aplicou 22,5 milhões (10 por cento do total de 225 milhões de dólares) numa concessão de larga escala de eucaliptos em Angola. A par disso, no primeiro semestre de 2016, o Fsdea adquiriu a concessão de sete fazendas de larga escala em Angola, que se encontram em fase de avaliação. O investimento compreende 72.000 hectares de terreno agrícola dedicado à produção de cereais, arroz e oleaginosas.
Mais de 20 milhões de dólares do fundo de capital estruturado, avaliado em 200 milhões, foram investidos num activo (não especificado) localizado na África do Sul.
A nota esclarece que, até ao momento, não foram realizadas dotações adicionais de capital no Fsdea pelo Executivo, numa altura em que, “pela primeira vez, o Fsdea aplica as normas internacionais de relato financeiro (IFRS) na elaboração e apresentação das suas demonstrações financeiras, na sequência da recente autorização do Ministério das Finanças para o efeito.”
Neste momento, ressalta a fonte, o FSDEA atravessa um período de transição de dois anos, com início em 2015, para converter os seus registos contabilísticos do Plano Contabilístico das Instituições Financeiras (Contif) para as IFRS. Os resultados auditados de 2015 já conformam as IFRS.
Para o PCA do Fundo Soberano, José Filomeno dos Santos, a recente conversão do Contif para as IRFS apresenta as operações e os investimentos do Fsdea com mais detalhe do que antes e reflecte os progressos alcançados em termos de governação interna, durante os três primeiros anos de actividade da instituição. “O Fundo Soberano de Angola é a primeira instituição financeira do país a apresentar demonstrações financeiras, auditadas por uma firma independente, que se conformam com as normas internacionais de relato financeiro”, sublinha.

Maior atracção
 
José Filomeno dos Santos garante que a instituição continua a fazer investimentos importantes em Angola e noutros países da África Subsaariana, através de fundos de “private equity”, numa altura em que muitos investidores observam o continente com muito interesse, devido aos elevados índices demográficos e de urbanização. “Em África, estes factores servirão de base para o aumento da demanda em várias indústrias no futuro”, disse.
 Os investimentos do Fundo Soberano em infra-estrutura, hotelaria, silvicultura, agricultura, saúde, mineração e capital estruturado visam apoiar o crescimento da actividade comercial destes ramos na região”, esclarece.Em relação à perspectiva do mercado e à estratégia do Fundo Soberano de Angola para o  próximo ano, o gestor do fundo aponta a volatilidade dos mercados financeiros como o único factor que vai  permanecer constante no próximo ano.
 Por esta razão, o Fundo Soberano de Angola prevê manter a sua carteira de investimento diversificada de modo a incluir cada vez mais activos que não estejam expostos a essa volatilidade.
“Na nossa ênfase, permanecerão os projectos de larga escala nacionais fundamentais, a redução de despesas e a capacitação técnica dos nossos quadros”, refere José Paulino dos Santos que promete um engajamento do fundo em programas prolongados de formação profissional, para que o Fundo Soberano de Angola detenha o conhecimento técnico e tecnológico necessário para a execução de várias actividades hoje terceirizadas.
“No futuro, o Fundo Soberano de Angola efectuará a gestão das suas operações e investimentos de forma ainda mais autónoma, barata e eficiente do que hoje”, assegurou.
O Fundo Soberano de Angola dedica até 7,5 por cento do seu capital a projectos de desenvolvimento social, sendo 156 milhões destinados a 16 projectos que abrangem 10 das 18 províncias do país. “Este apoio é essencial para o trabalho de organizações como a World Vision, People in Need, Medici Con L\'Africa, Globethics, African Innovation Foundation e muitas outras nas zonas rurais e periurbanas do país”, conclui o comunicado.

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