Economia

Mercado de automóveis baixa vendas e sobe preço

Madalena José |

O mercado automóvel nacional registou uma quebra acentuada (menos de 54 por cento) nas vendas durante o ano passado face ao ano a e 2014, de acordo com dados avançados ontem ao Jornal de Angola pelo presidente da Associação dos Concessionários de Equipamentos de Transportes Rodoviários (ACETRO).

Nuno Borges da Silva anuncia uma situação de declínio na procura de automóveis
Fotografia: Eduardo Pedro

Nuno Borges da Silva revelou que, em 2014, os concessionários venderam 44.500 viaturas, mas em 2015 este volume baixou para menos de metade (20.500 viaturas), numa altura em que a procura caíu consideravelmente em proporção.
A ACETRO prevê para 2016 uma quebra de vendas na ordem dos 26 por cento em relação a 2015 e uma subida na ordem dos 40 por cento para 2017 em comparação com este ano. A associação calcula que a economia reaja positivamente em 2017, com reflexo para o mercado automóvel.
Os concessionários de automóveis em Luanda aumentaram os preços em kwanzas e em pequena proporção em dólares.
Nunes s da Silva justifica a subida dos preços em kwanzas com a desvalorização da moeda nacional face ao dólar, cotado agora em 160 kwanzas. “Os preços das viaturas acompanham a desvalorização desde o ano passado”, disse. As viaturas que até Dezembro de 2015 custavam 1.500.000.00 kwanzas passaram a custar  mais de 2.500.000.00 kwanzas.  As concessionárias reajustaram os preços, tendo em conta a taxa de câmbio praticada pelo Banco Nacional de Angola, que fixou um dólar em 160 kwanzas contra os anteriores 136 kwanzas. Os concessionárias ressentem a escassez de divisas no mercado para a importação. “Não conseguimos ter divisas suficientes para os pagamentos aos fornecedores. Há um atraso de pagamento, o que provocou que alguns fornecedores estejam com restrições nos stocks”, sublinhou.
Para este ano, está prevista uma redução mais acentuada que a de 2015, devido à crescente queda do preço do petróleo. “As perspectivas não são animadoras”, referiu Nuno Borges da Silva.O Banco Nacional de Angola está a tomar medidas  no sentido de melhorar a situação, mas “a solução passa por importar apenas o que o mercado nacional  não produz. Assim pouparemos muitas divisas”, sugeriu. Antes da crise petrolífera, em 2013 e 2014, as empresas públicas e o Estado foram os maiores compradores de automóveis. Hoje, algumas empresas como as de construção civil pararam, ficando os particulares no topo da clientela.

Falências


A actividade empresarial consideravelmente, referiu Nuno Borges da Silva, que antevê a falência de muitas empresas do sector. “As empresas que importavam viaturas estão paradas - com o atraso de pagamento suspenderam a actividade - e as que compravam no mercado interno, com o aumento dos preços, suspenderam as compras”, explica o responsável. As viaturas ligeiras mantiveram a liderança nas vendas com 20.559 unidades.
Em termos de marcas, em 2015, a Suzuki foi a que mais vendeu (3.893 viaturas), seguida pela Toyota (2.­857) e a Chevrolet (2.483). O mercado registou quebra nas vendas de camiões e máquinas industriais. Foram vendidas 229 unidades. Em termos de empresas, a Toyota liderou o mercado de vendas, seguida pela Cosal e Lusolanda. Os concessionários prevêem este ano uma ruptura de stocks, porque a maioria de carros vendidos em 2015 foi importada em 2014. \"Os fornecedores não enviam viaturas sem o pagamento. Não recebendo dinheiro não mandam viaturas\", ressaltou Nuno Borges da Silva, prevendo o agravamento da situação com a carência de divisas.
André Garcia, chefe de vendas das Organizações Chana do stand da Maianga, disse ao Jornal de Angola que em 2015, a organização tinha em armazém viaturas importadas no ano anterior. \"Tivemos pouca importação de carros por causa da depreciação da moeda, que nos criou dificuldades para adquirir viaturas\", afirmou o chefe de vendas.

Falta de cambiais

Por falta de cambiais, por exemplo, as Organizações Chana estão a adquirir viaturas no mercado interno. “Estamos com sérias dificuldades para importar viaturas, não temos dólares para pagar aos fornecedores no mercado internacional”, acrescentou André  Garcia.
Desde o início do ano, os clientes só aparecem para saber dos preços, disse André Garcia. As vendas das Organizações Chana reduziram substancialmente de nove unidades para duas por semana.
Na ronda efectuada pelos concessionários de Luanda, o Jornal de Angola constatou o aumento  de preços de viaturas em todas gamas, dos ligeiros aos pesados. Ainda assim, os concessionários fazem descontos até 500 mil kwanzas. Outra estratégia para sustentar as vendas é a  aposta na cobertura geográfica no país e a formação profissional na área de prestação de serviços.
O presidente da ACETRO, Nuno Borges da Silva, informou que, a partir de Março próximo, as empresas vão ajustar um programa de formação a todos os quadros. \"Pretende-se melhorar a qualidade dos profissionais a partir do atendimento\", referiu.  Criada em 1994, a ACETRO integra 39 associados, 24 dos quais são empresas de automóveis e 12 de motociclos.

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