Economia

País lidera investimento estrangeiro

Angola foi o país africano que em 2013 mais investimentos realizou no estrangeiro, especialmente em Portugal, revela um relatório da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (CNUCD).

Grupos empresariais angolanos assumem participações em sectores internacionais de telecomunicações além de construção e banca
Fotografia: Santos Pedro

O relatório, mencionado pela agência financeira Bloomberg, sublinha que Moçambique e São Tomé e Príncipe foram, também no ano passado, dos países africanos que mais investimentos estrangeiros atraíram.
Moçambique, ao contrário de Angola, foi o país de língua oficial portuguesa o que mais investimento recebeu, considerando a população do país – o equivalente a 248 dólares per capita, somente atrás de Gabão (550 dólares), República do Congo (496 dólares), Namíbia (321 dólares), Mauritânia (320 dólares) e Libéria (268 dólares).
A generalidade das análises disponíveis aponta para a continuação de uma elevada entrada de investimentos estrangeiros em Moçambique, dada a magnitude dos projectos de gás natural e infra-estruturas de apoio, além de outros em andamento para extracção mineral.

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São Tomé e Príncipe surge igualmente bem colocado, com 168 dólares per capita, acima da África do Sul ou da Zâmbia, enquanto Angola está mais acima, com 219 dólares, destacando-se contudo pela particularidade de ser o único país africano “que fez mais investimentos do que aqueles que recebeu” do estrangeiro, salientam os analistas da Bloomberg. A Sonangol funcionou nos últimos anos como “ponta de lança” dos investimentos angolanos no estrangeiro, designadamente na energia em Portugal (Galp Energia), Brasil (exploração de petróleo), São Tomé e Príncipe e Cabo Verde (distribuição de combustíveis e logística).
Alguns dos investimentos mais recentes incluem a banca. A Sonangol é o principal accionista do maior banco privado português, o Millennium BCP, tendo recentemente acompanhado um aumento de capital que envolveu um esforço financeiro de perto de 435 milhões de euros.

Investimentos em Portugal
 
Grupos privados angolanos começaram a assumir participações na construção e na banca, sobretudo em Portugal. O capital angolano divide com o maior grupo privado português, Sonae, o controlo da operadora de telecomunicações Nos e Angola é dos maiores accionistas do Banco BPI. Empresários angolanos começaram a assumir participações na comunicação social, caso de António Mosquito no grupo Controlinveste e de Álvaro Sobrinho no semanário Sol e, agora, no diário I.
O facto de Angola se ter assumido como emissor de investimento directo estrangeiro é particularmente surpreendente, tendo em conta o grande volume de investimentos que o país tem recebido nos últimos anos, principalmente a nível de exploração petrolífera e de de gás natural, bem como de infra-estruturas rodoviárias e ferroviárias. Na lista ordenada da CNUCD de captação de investimento, Cabo Verde e Guiné-Bissau ocupam posições significativamente mais modestas, com 39 dólares e nove dólares per capita.
Os analistas Jeanna Smialek e Jeff Kearns relacionam em grande medida o nível de investimento que o continente recebe com o esforço empreendido pela China, que é de forma destacada o maior parceiro comercial dos países africanos e a tentativa dos Estados Unidos em reassumirem um papel de relevo.
“Os investimentos da China na África a Sul do Saara aumentaram 40 vezes desde 2003 e as suas empresas estatais têm sido capazes de executar projectos rapidamente em todos os países do continente, a construção de barragens no Nilo, auto-estradas para regiões petrolíferas e caminhos-de-ferro para transportar cobre”, afirmam.
Mais recentemente, a China iniciou, em articulação com o Banco Africano de Desenvolvimento, a construção de fábricas de vestuário e outro tipo de unidades produtivas, abrindo-se também a importações de produtos africanos.
“Os investimentos chineses e norte-americanos em transportes e electricidade devem tornar mais fácil às empresas africanas levar bens e serviços de e para o continente”, esperando-se que tal se traduza num aumento do rendimento per capita dos africanos, refere a Bloomberg.

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