Economia

Kolly Villa: o homem dos carros exclusivos

Está registado com o nome de António Pindi Villa mas as pessoas conhecem-no como Kolly Villa. É muito conhecido no meio do negócio de venda de carros em Angola. Começou por vender carros da marca Lada da antiga URSS. Hoje vende automóveis de luxo para a alta sociedade angolana.

Está registado com o nome de António Pindi Villa mas as pessoas conhecem-no como Kolly Villa. É muito conhecido no meio do negócio de venda de carros em Angola. Começou por vender carros da marca Lada da antiga URSS. Hoje vende automóveis de luxo para a alta sociedade angolana.
Nasceu a 24 de Junho de 1966 em Cuilo Futa, município de Maquela do Zombo, província do Uíge. É filho de Mafuta Maria e de João Mavinga, ambos a residirem nas imediações da Petrangol, São Pedro da Barra, município do Sambizanga.
Kolly Villa é humilde mas decidido nas suas atitudes. Como costuma dizer-se, veio do nada. Não teve uma infância de ouro. Ele é sobrinho de Manuel Quarta Punza, uma figura histórica do nacionalismo angolano. Os dissabores da vida, levaram-no a conhecer os pais biológicos apenas aos 13 anos.
“Não tive uma infância dourada, sofri muito”, disse Kolly Villa. Oriundo de uma família humilde, de Maquela do Zombo, foi acolhido pelo padre Mariano, um dos párocos locais. Decorridos alguns anos transferiu-se para a capital da província, onde o tio desempenhava o cargo de Comissário Provincial do Uíge.
Em 1981, ingressou nas Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), para cumprir o serviço militar, conjuntamente com o seu primo Yannik, o reputado rapper dos Afroman. Foi colocado na primeira região militar, na Aldeia Viçosa, município do Quitexe. Durante uma acção militar, foi atingido com gravidade numa perna e foi evacuado para Cuba. Depois de ter sido submetido a várias cirurgias voltou para Angola.
No período de readaptação, Kolly Villa, passou a viver momentos tristes por estar desempregado. “Apesar de ter um tio com possibilidades, nunca gostei de pedir”, realça. Em Luanda, passou a viver em casa de uma tia, na zona da Petrangol.
 
O baptismo nos negócios

Kolly Villa decidiu lutar pela vida, contrariando a máxima, da tradição Bakongo, segundo a qual o sobrinho é que herda a herança do tio.
Sem dinheiro, decidiu ser intermediário no negócio de “pedras de isqueiros”, produto que vinha de Massabi, região de Cacongo, que fica 90 km a Norte da cidade de Cabinda. Na então praça “Tira Biquini”, Kolly Villa passou a negociar a caixa de pedras de inqueiro ao preço de 500 Kz.
Em cada caixa que vendia, tinha uma comissão. Com o pouco que ganhava, conseguiu comprar um garrafão de vinho tinto, para fazer uma festa à sua avó. Depois aproveitou o vasilhame para cofre. Desde então, todos os rendimentos do dia-a-dia eram colocados no garrafão, no fim de cada jornada. Foi cerca de um ano de poupança rígida. Quando as autoridades decidiram encerrar o mercado “Tira Biquini”. Prosseguiu o negócio no novo mercado do “Cala Boca”.
O negócio cresceu depressa. De intermediário Kolly Villa converteu-se num dos maiores vendedores de aparelhos de som, de marca Conhó idênticos aos conhecidos Simbas. Novamente, voltou a soar o aviso do encerramento do “Cala Boca”.
Em 1981, cansado das constantes correrias e mudanças de lugar, resolveu consultar a esposa e abrir o garrafão para saber quanto tinha guardado. Quando viu o saldo final quase desmaiou. Tinha 35 mil dólares e muito mais em kwanzas. “Não tínhamos energia em casa e decidimos comprar um ferro de engomar a carvão, para ajustar as notas e facilitar a contagem”.
 
Comércio de carros


Kolly Villa decidiu iniciar uma nova etapa como comerciante. Viajou até à Bélgica e adquiriu três viaturas de marca Lada Niva, para revendê-las em Angola. De regresso ao país, a venda foi rápida. Voltou à Bélgica e desta vez comprou seis viaturas. Meses depois, saltou dos Lada Niva para os BMW. Recorda que com o dinheiro da venda de um BMW comprou o primeiro terreno em Luanda, na zona da Petrangol. “Construí uma casa grande que as pessoas até se assustaram”. Desde então, avistar Kolly Villa com este ou aquele carro de grande cilindrada e muito exclusivo, passou a ser uma rotina. Num ápice, a qualidade de vida do rapaz do Cuilo Futa alterou-se. O dinheiro do garrafão mudou a sua vida. Saiu da Petrangol para um novo apartamento para um prédio no Bairro Prenda. Não parou mais até agora.

Chorei muito na tropa

António Pindi Villa ou Kolly Villa tem como momento marcante na vida, o cumprimento do serviço militar na região da Aldeia Viçosa, Quitexe, na companhia do seu primo, o Yannick dos Afroman. “Sempre chorei e pedi que Deus que olhasse por nós, para que um de nós saísse vivo dali. O Yannick era miúdo, só que o corpo dele levava as pessoas a pensarem que ele era adulto. Graças a Deus me ouviram e o Yannick foi desmobilizado. Isso marcou-me muito ”.

Kolly Responde

Vive só da venda de viaturas?
Não. Vivo também dos meus rendimentos. A minha primeira casa na Petrangol ficou com os meus pais, atendendo que eles sempre viveram na República Democrática do Congo e em Luanda não tinham onde morar. Desalojei as pessoas que lá viviam. Continuo a vender viaturas. Tenho uma viatura Breitling, que é o único modelo em Angola. Está avaliado em 275 mil dólares. Também tenho uma vivenda no Morro Bento.

Tem irmãos?
Sou o primeiro filho dos meus pais. Somos no total sete irmãos e estamos todos a viver em Luanda.

Qual é a sua relação com Yannick?
Nós temos a tradição que o primo é irmão. O Yannick é filho da minha tia, a irmã mais velha do meu pai. O meu pai é o caçula entre os irmãos. Nós desde há muito que vivemos juntos e todo o mundo sabe que somos irmãos.

Onde é que estudou?
Frequentei o ensino primário no Cuilo Futa, Maquela do Zombo. Fiz o curso médio em Maquela e passei depois para a escola preparatória do Uíge. Estudei também no Makarenco, em Luanda, na especialidade de electrónica. Parei porque a vida que levava não dava. Tive que batalhar, porque já tinha filhos. à hora que saía do mercado, não tinha como chegar à cidade.
 
É casado?
Fui casado. Estou separado há quatro anos e vivo agora sozinho. Os meus filhos estão com as mães. Há mães que já têm os seus maridos. A minha mulher casada vive com os meus três filhos. Casar já não está nos meus planos. Apanhei uma decepção muito grande. Penso nunca mais voltar a casar.

Qual é a mensagem que deixa para os mais jovens?
As pessoas não devem ter preconceitos. Os meus pais são camponeses e somos mesmo pobres. Até hoje, eu é que sustento a minha família, desde tias, irmãos, sobrinhos. Não preciso de mundos e fundos, pois o pouco que tenho, consigo satisfazer as necessidades da minha família. Se ganhar 100 dólares, tenho que repartir. Nunca fiz negócios escuros. Devemos lutar mesmo. Hoje, o país já tem Crédito Jovem.

Considera-se milionário?
Nunca me considerei milionário. Considero-me um homem bem sucedido na vida. Nunca paguei renda na minha vida nem mesmo pedi carro emprestado. Tudo o que eu tenho, é meu e com o meu esforço.

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