Economia

Kwanza retrocede 25 por cento face ao euro

Leonel Kassana

Desde que iniciou, há pouco mais de uma semana, a depreciação do kwanza já soma 18 pontos percentuais diante do dólar e 25 frente ao euro, depois de, no leilão de terça-feira, a moeda angolana ter voltado a retroceder em 7,2 e 6,1 por cento face às duas divisas.

Analista prevê o momento em que o mercado informal deixará de ser um recurso
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

O curso da moeda nacional passou para 202,061 kwanzas por dólar e 248,077 kwanzas por euro na terça-feira, contra 184,528 e 220,160 na semana passada, quando iniciou o regime de flutuação do câmbio.
No leilão de terça-feira participaram 27 bancos comerciais para uma disputa de 82,6 milhões euros postos a venda pelo Banco Nacional de Angola (BNA), 14 dos quais contribuíram para o apuramento da taxa de câmbio de referência depois de ofertas situadas entre 243,387 e 270,823 kwanzas por euro.
Reagindo a esses números, o economista Carlos Gomes lembrou que o valor estabelecido entre o BNA e os bancos comerciais visa esbater o diferencial entre a taxa de câmbio oficial e a do mercado paralelo e que “a depreciação da moeda de forma deslizante está em linha com os parâmetros estabelecidos no Programa de Estabilização Macroeconómica (PEM), que visa encontrar a taxa de convergência para restaurar a estabilidade da economia angolana”.
O economista referiu que o combate à especulação cambial por via do enxugamento de uma grande parte da massa monetária fora do sistema financeiro, a restituição gradual da capacidade dos bancos comerciais para atender as necessidades dos agentes económicos e das
famílias, renovação da confiança das empresas para a retoma dos programas e projectos de relançamento da produção de bens justificam as medidas do BNA.
Carlos Gomes referiu que a tendência de depreciação irá continuar até que o mercado paralelo se mostre “residual” na manipulação do preço das divisas. “Chegaremos a um momento em que, recorrer ao mercado informal, não mais será o único recurso, mas sim opção, só preferida por aqueles que não terão como justificar a necessidade da compra de divisas, nem a origem de grandes volumes de kwanzas, devendo, nesse caso, merecer a atenção das instituições vocacionadas para o combate de branqueamento de capitais, adiantou.
Sublinhou que até alcançarem-se os objectivos pretendidos, poderá assistir-se a um certo “nervosismo” no ajustamento dos preços dos produtos no mercado, algo que disse ser compreensível, mas que tenderá à normalidade a médio e longo prazos, com a retoma da produção interna envolvendo, também, parceiros externos, atraídos pelos benefícios das medidas de política cambial, monetária e fiscal, contidas no PEM.
Há pouco mais de uma semana, o analista da Neuberger Berman Europe Kaan Nazli estimou, numa matéria publicada pela agência de notícias especializada Bloomberg, que o valor mais justo para o limite máximo da taxa de câmbio é de 348 kwanzas por dólar.
A moeda angolana, declarou, é a mais sobrevalorizada das cerca de 50 moedas que foram analisadas numa nota de pesquisa citada pela Bloomberg, apesar de se ter desvalorizado em 40 por cento face ao dólar desde meados de 2014, quando eram necessários 166 kwanzas para comprar um dólar no mercado oficial de câmbios, contra 430 no informal.
Uma depreciação do kwanza na ordem dos 30 por cento durante o ano passado pode melhorar os desequilíbrios cambiais de Angola e garantir que a dívida pública externa se mantenha controlada, considerou Kaan Nazli.
Ao instituir um regime cambial que permite a flutuação do kwanza e institui leilões, Angola, notou, segue o exemplo de outras nações emergentes que abandonaram a indexação à principal moeda mundial - como a Rússia, Egipto, Cazaquistão ou Nigéria - e optaram pela oscilação da sua moeda para tentar evitar a falta de liquidez de dólares e reanimar o crescimento económico.

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