Economia

Lisboa tem potencial para ajudar

Victorino Joaquim

O presidente do conselho de administração da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações (AIPEX), Licínio Contreiras, considerou ontem, em Luanda, que Portugal tem condições para desempenhar um papel importante no processo de substituição das importações e promoção das exportações em curso o país.

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Licínio Contreiras, que falava à imprensa, à margem do Fórum Económico Ango-la-Portugal, inserido no programa da visita oficial de dois dias que o Primeiro-ministro António Costa, anunciou que a AIPEX está a criar condições para atrair o investimento privado, substituir as importações e promover as exportações.
“Pelos laços históricos e a língua que une os nossos dois países, Portugal tem melhores condições de ocupar um lugar no processo de substituição das importa-ções e promoção das exportações” nos domínios da agricultura, pecuária e pescas, bem como na extracção de metais e minerais, têxteis, calçado e turismo.
O responsável lembrou que, de 1990 a 2014, Portugal deteve os maiores volumes de investimentos em Angola fora do sector petrolífero, sendo a indústria transformadora o sector que mais investiu, seguindo-se a banca e seguros e a construção.
Para Licínio Contreiras, a assinatura do acordo para a elevação do valor da linha de crédito de apoio às exportações portuguesas para Angola,  de mil para 1,5 mil milhões de euros, vai beneficiar as em-
presas angolanas que compram equipamentos e matérias-primas em Portugal, tendo em conta a grande dependência da economia angolana do exterior.
Referindo-se aos empresários portugueses, considerou que investir em Angola significa entrar para um mercado com mais de 300 mi-lhões de habitantes, que cor-
responde ao potencial dos 15 países da SADC, que tem em preparação uma zona de co-mércio livre e onde o nosso país está inserido.
O presidente do conselho de administração da AIPEX apontou a falta de infra-es-truturas como estradas, água e energia, bem como as ca-rências no domínio do capital humano - qualificado e em quantidade suficiente -, com sendo desafios a serem ul-trapassados por Angola, para melhorar o ambiente de negócios.
O presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AI-CEP), Luís Henriques, indi-
cou três eixos oferecidos pelas empresas portuguesas - cerca de 1.200 operam no país - no processo de implantação em Angola, nomeadamente a capacitação, produção e informação.
Segundo Luís Henriques, serão realizados seminários para que as empresas portuguesas conheçam melhor as oportunidade, além de visitas às províncias - começando pela Huíla - para identificar mais oportunidades.
Considerou a carência de financiamento como sendo um desafio comum aos dois países, prevendo que se en-contrem possíveis soluções para este problema junto do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
Luís Henriques notou que depois da crise de 2011 em Portugal, as exportações fo-ram as que mais contribuí-ram para a recuperação, afir-
mando que a mesma solução pode servir para ajudar a Angola.

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