Economia

Luanda necessita 1.800 autocarros para transportes públicos

Victorino Joaquim

Luanda tem 213 autocarros a servirem a rede de transportes colectivos urbanos em 54 rotas, quando estudos apontam para a necessida-de de 1.800 veículos desses para 105 rotas, de acordo com números apresentados ontem pelo director do Gabinete Provincial dos Transportes Trânsito e Mobilidade Urbana.

Fotografia: Vigas da Purificação| Edições Novembro

Amadeu Campos falava na 1ª Conferência Internacional de Mobilidade realizada ontem sob os auspícios do Ministério dos Transportes, onde o titular do pelouro, Ricardo de Abreu, reconheceu que Luanda tem uma rede de transportes urbanos “ainda muito aquém das suas necessidades”, sobretudo do ponto de vista da “frota disponível e dos sistemas complementares”.
Os dados depois fornecidos por Amadeu Campos, ao apresentar o Plano Director Geral Metropolitano de Luanda(PDGML) 2015-2030, tema sobre o qual incidiram as discussões, confirmaram as declarações do ministro: a oferta das empresas de transportes colectivos urbanos da capital cobre apenas 15 por cento da procura da província.
Cinco empresas estão autorizadas a operar a rede de transportes colectivos urbanos (Tcul, Macon, Tura, Angoaustral e SGO), com uma frota que, dadas as condições da rede viária, têm um tempo de vida útil de cinco anos.
Estudos de 2015 citados por António Campos apontavam que os percursos estabelecidos pelos operadores cobriam 3.309 quilómetros, mas era necessário elevar a velocidade para níveis comerciais, elevando-a da média de 16 quilómetros por hora em cinco minutos nas horas de ponta e em 15 no restante horário.
Para essas dificuldades, o PDGML projecta soluções integradas como é a introdução do conceito multimodal (que interliga as redes rodoviárias, às áreas, marítimas e ferroviárias), no caso de Luanda, com uma aposta na abertura de linhas para o transporte marítimo de passageiros em catamarãs e corredores de natureza ferroviária.
Estes projectos incluem a implantação de uma circular ferroviária na via expressa, o corredor ferroviário de Ca-mama, a duplicação do troço entre o Bungo e Catete, uma ligação Norte/Sul e outra ao novo aeroporto internacional de Luanda.
O PDGML também prevê a implantação de um metro ligeiro de superfície em Luanda, um terminal marítimo em Cacuaco e a manutenção do serviço de táxi colectivo, de moto-táxi e outros para complementar o serviço em zonas de difícil acesso aos autocarros e ao metro projectados.
A engenheira Neusa Inglês, ligada à gestão do PDGML, apresentou pontos críticos da mobilidade urbana de Luanda ligados ao tendencial crescimento demográfico, preconizando que o programa mantém a meta de, ao fim de 15 anos (quando a população actual de oito milhões, atingir 15 milhões), o sistema de transportes públicos sirva 80 por cento da população residente em Luanda de forma “segura, eficiente e regular”.
Isso inclui a melhoria da rede de estradas primárias, secundárias e terciárias , bem como a construção de novas para atender o crescimento demográfico da província de Luanda, a introdução de autocarros de circulação rápida (BRT), comboios em massa e transportes marítimos, num processo que estão envolvidos o próprio Ministério dos Transportes e o Governo Provincial de Luanda.
Neusa Inglês prevê que o PDGML vai ter um impacto significativo na produtividade e competitividade, porquanto a melhoria da expansão das áreas de circulação têm o potencial de encurtar o tempo das deslocações, viabilizando o tráfego de pessoas e bens.
O ministro dos Transportes considerou que o desafio da correcta abordagem da mobilidade “não pode ser visto numa lógica exclusivamente governamental”, defendendo a participação de todos os actores para, em conjunto, “conduzir a bom porto a estratégia de mobilidade”.

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