Economia

Mais produção de bens e serviços da cesta básica

Alberto Cafussa

O plano de relançamento da produção nacional, com vista a diversificar as fontes de receitas, prevê o aumento da produção de bens e serviços, sobretudo no que diz respeito aos produtos da cesta básica e outros bens essenciais para o consumo interno e para a exportação.

Executivo vai facilitar a criação de novas fábricas para empresas já instaladas em Angola
Fotografia: Domingos Cadência | Edições Novembro

Prevê-se, por exemplo, a produção anual de cinco milhões de toneladas de cereais contra os actuais dois milhões. Em termos de legumes, o país passa a produzir um milhão de toneladas, ao invés de apenas 800 mil. A produção de tubérculos vai passar de 11 milhões de toneladas para 15 milhões nos próximos cinco anos.
Em relação à pecuária, está prevista a cobertura de cerca de 30 por cento das necessidades domésticas de frango, 60 por cento de carne bovina, ovina, caprina e suína, satisfazer 80 por cento de ovos, bem como reduzir em cerca de 15 por cento a importação de leite e expandir o consumo com recurso à produção interna.
O futuro Governo compromete-se a potenciar a utilização integrada dos recursos do mar e da pesca, com a criação de áreas de conservação marinha e assegurar a respectiva gestão, ao mesmo tempo que promete desenvolver a aquicultura, apoiar a pesca artesanal, através de cooperativas de produção, de serviços e de comercialização e melhorar o processamento, a distribuição e a comercialização do pescado e do sal iodizado, através do relançamento da indústria de conservas.
Para os próximos cinco anos, prevê-se o aumento de capturas de pescado para 614 mil toneladas por ano, contra as actuais 528 mil, enquanto a produção de sal iodizado passa de 97 mil para 160 mil toneladas. Já a produção de farinha de peixe vai crescer 50 por cento, passando de 20 mil para 30 mil toneladas por ano.

Exploração mineira  

O Executivo de João Lourenço pode ser conhecido como aquele que teve a sorte de explorar mais recursos minerais, na sequência de várias descobertas feitas nos últimos anos, com a implementação do Programa Nacional de Geologia (Planageo). Entre as novas descobertas estão recursos raros como o nióbio.
O Governo vai assegurar o aumento da produção e exportação de diamantes, de modo a tornar o sector mais eficiente, com uma contribuição mais significativa para as receitas tributárias do país. />Assim, a produção anual de diamantes vai, dentro dos próximos cinco anos, atingir os 13,8 milhões de quilates, contra os actuais nove milhões. A produção de rochas ornamentais vai subir de 59,8 mil metros cúbicos para 104,6 mil por ano.
A produção de ferro gusa, que começa em breve, vai atingir 1,7 milhões de toneladas por ano, enquanto a de ouro chega às 25,6 mil onças e a de fosfato a 1,3 milhões de toneladas por ano.     
No sector do petróleo e gás, a construção de, pelo menos, uma refinaria para reduzir a dependência do país de produtos refinados a partir do estrangeiro é uma aposta do Governo de João Lourenço. Também pretende baixar a importação de bens e serviços do sector petrolífero em 20 por cento, reduzir a contratação de mão-de-obra especializada em 15 por cento e de mão-de-obra estrangeira para serviços gerais em 40 por cento, bem como garantir a inserção de 30 por cento de empresas nacionais.

Indústria transformadora

Fomentar o alargamento da base produtiva da indústria transformadora, com a conclusão dos processos de privatização de empresas do sector e a criação de cadeias produtivas nos sectores prioritários estão entre os desafios de João Lourenço, que pretende fazer de Angola um dos principais mercados de exportação em África.
Para isso, o Executivo vai facilitar a implementação de novas fábricas para empresas já instaladas em Angola, bem como promover o associativismo empresarial de base sectorial e dinamizar a inserção de unidades industriais em associações específicas.  Para a gestão das empresas, está prevista a formação de quadros de gestão e técnicos a vários níveis, bem como a criação de centros de inovação para os sectores prioritários (agro-alimentar, têxteis e confecções, materiais de construção, madeira e mobiliário) e a sua inserção no Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.

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