Economia

Sonangol vende em Londres

A Sonangol vendeu na sexta-feira um último carregamento de petróleo do programa de Janeiro no mercado de futuros de Londres, com desconto de 50 cêntimos sob a cotação do Brent, de 63,43 dólares norte-americanos, noticiou a agência Reuters.

Agência Internacional de Energia notou a ausência, no mercado internacional, de carregamentos do Campo Girassol
Fotografia: Edições Novembro

O carregamento é oriundo do campo Pazflor, do Bloco 17 das concessões petrolíferas angolanas, operado pela francesa Total, com uma participação de 40 por cento, a norueguesa Statoil (23,33 por cento), a norte-americana ExxonMobil (20) e a britânica BP (16,67).
Fontes do mercado disseram que a Sonangol tem por vender dez carregamentos do programa de Janeiro, esperando-se que o de Fevereiro seja anunciado amanhã.
De acordo com dados da agência especializada Bloomberg, Angola liderou o declínio da produção da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em Novembro, com uma queda de cem mil barris.
A Agência Internacional de Energia já tinha alertado para a possibilidade de manutenções programadas afectarem a produção angolana de Novembro, quando se notou a redução da oferta dos campos Saturno e Girassol, esperando uma recuperação no corrente mês de Dezembro.
Dados consultados na sexta-feira pelo Jornal de Angola indicam que, entre Janeiro e Novembro, Angola exportou 547.503.401 barris de petróleo, 85 por cento das previsões do Orçamento Geral do Estado (OGE) para o cômputo de 2017, que estimam remessas de 664,6 milhões de barris.
O Estado obteve, naquele período, 8,8 mil milhões de dólares norte-americanos (1,462 triliões de kwanzas) em receitas fiscais com a exportação de petróleo, diante de previsões da obtenção de 1,695 triliões de kwanzas durante o ano inteiro.

Oferta nigeriana


A companhia petrolífera estatal da Nigéria, NNPC, elevou na sexta-feira a cotação dos carregamentos de Janeiro das ramas de crude Bonny Light e Qua Iboe em 79 e 75 cêntimos de dólar acima do Brent.
A Nigéria, o primeiro produtor de petróleo do continente africano, anunciou na sexta-feira o plano de exportações de Fevereiro, que prevê uma redução de sete carregamentos, ou 238 mil barris por dia, face a Janeiro.

Mercado equilibrado


As transacções de sexta-feira no mercado de Londres foram marcadas pelo encerramento das propostas de compra da indiana MRPL e a previsão de que a sua congénere faça o mesmo esta semana, mas a tailandesa IRPC lançou um concurso para  compra de um carregamento de 300 mil a um milhão de barris de petróleo. O corte da produção de petróleo lançado há um ano pela OPEP para reduzir o excesso de oferta permitirá que o mercado fique equilibrado em finais de 2018, indicam previsões da OPEP divulgadas na quinta-feira.
O mais recente relatório da organização prevê um aumento da produção de petróleo de xisto dos Estados Unidos da América para níveis máximos.
Assim, a OPEP prevê que a produção total da concorrência aumente em 0,9 milhões de barris por dia para um total de 56,58 milhões de barris de petróleo por dia.
A produção dos EUA, especialmente de petróleo de xisto, deverá crescer 1,05 milhões de barris por dia e será o único responsável por aquele aumento.
As extracções de xisto chegarão em 2018 até aos 5,48 milhões de barris por dia, mais 17 por cento que no ano passado e acima da produção máxima de sempre, de 4,70 milhões de barris por dia registada em 2015.
“A previsão de 2018 para o fornecimento de países não OPEP está associada a consideráveis incertezas, particularmente relacionadas com o desenvolvimento do petróleo de xisto dos Estados Unidos”, indicam os especialistas da OPEP.
O cartel petrolífero afirma que já em 2017 a produção norte-americana vai crescer 4,45 por cento e que se espera que aquele ritmo “continue em 2018 impulsionado de crescentes investimentos em petróleo de xisto dos Estados Unidos e de poços mais eficientes”.
A extracção de petróleo de xisto, mais cara do que a do petróleo convencional, começou a cair em 2015 quando a descida dos preços fez com que aquelas exportações deixassem de ser rentáveis.
Agora, com a recuperação do custo do petróleo, graças à política de cortes adoptada pela OPEP, o petróleo de xisto volta a ser interessante para os investidores.
Face ao aumento da produção dos Estados Unidos, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo estima que poderá colocar em 2018 no mercado uma média de 33,2 milhões de barris por dia, apenas mais 1,00 por cento que este ano.
A produção da Rússia, um dos principais aliados da OPEP na estratégia de corte da produção, deverá cair 1,36 por cento.

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