Economia

Moageiras já cobrem 60 por cento do mercado

Natacha Roberto

As duas moageiras em actividade cobrem em 60 por cento as necessidades de consumo de farinha de trigo do país, o que descarta qualquer cenário de rotura de stocks, declarou ontem ao Jornal de Angola o director do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística GEPE).

As duas moageiras em actividade cobrem em 60 por cento das necessidades de consumo de farinha de trigo do país
Fotografia: António Soares |Edições Novembro

José Salas indicou elevadas disponibilidades para entrega imediata de farinha de trigo na Moageira do Quicolo e anunciou a entrada em actividade de uma terceira em breve, o que vai ajudar a cobrir as necessidades de consumo do país e a diminuir o eventual défice de oferta. 

O director lembrou o Decreto Presidencial de 23/19, de 14 de Janeiro, que garante a protecção aos produtos nacionais, incluindo a farinha de trigo, condicionando a importação do produto, estando o licenciamento desse tipo de aquisições suspenso face à elevada disponibilidade no mercado nacional.
“Muitos ainda preferem importar a farinha de trigo do que comprar o produto nacional que está disponível nas unidades industriais”, admitiu o responsável, questionando esse tipo de aquisições no estrangeiro pelas implicações a nível da corrosão das reservas de divisas do país.
As declarações de José Salas foram proferidas para responder ao Jornal de Angola sobre a decisão dos industriais da panificação reduzirem a massa do pão e, em menor prevalência, ajustarem o preço do pão, algo que chegou a ser tema de uma matéria divulgada pela Rádio Nacional de Angola na quarta-feira.
O director do GEPE reconheceu que o preço da farinha de trigo registou um ajuste a nível das grandes moageiras, levando o preço do saco de 50 quilos a passar de oito mil kwanzas, comercializado ao longo dos últimos seis meses, para nove mil kwanzas.
O ajustamento visou fazer face à desvalorização da moeda nacional, de cerca de três por cento ao longo do ano, o que obrigou as unidades industriais a alterar a venda para cobrir os custos relativos à matéria-prima importada para a produção da farinha de trigo.
O presidente da Associação das Indústrias de Panificação e Pastelaria de Angola, Gilberto Simão, considerou, contactado pela nossa reportagem, que o Governo deve proteger a produção nacional da farinha, retirando-a do que disse serem “as mãos de produtores estrangeiros”.
“É revoltante ver estrangeiros a dominarem o mercado de panificação em Angola. Eles têm essa facilidade porque são importadores, grossistas e revendedores do mesmo produto”, declarou.
Na sua opinião, existem medidas que devem ser tomadas para garantir maior equilíbrio do preço do produto mais consumido pela população angolana. “É preocupante assistirmos uma evolução do preço da farinha de trigo que obriga as panificadoras a ajustarem o preço do produto ou o tamanho do pão para garantir o consumo regular nas famílias”, disse.
Contrariamente ao reajuste verificado este mês, em Setembro do ano passado houve uma ruptura de stocks que provocou uma paralisação no fornecimento e fez as panificadoras elevarem o preço do pão.
Naquela altura, a paralisação das vendas permitiu aos revendedores grossistas elevarem o preço do saco de 50 quilos de 5 300 para dez mil kwanzas, encarecendo o preço do pão.

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