Economia

Nova refinaria nasce no Namibe

João Upale | Moçâmedes

A construção de uma refinaria petroquímica arranca, nos próximos dias, na localidade de Giraúl de Baixo, na província do Namibe, com o lançamento da primeira pedra e a celebração do contrato de investimento privado, na quarta-feira, em Moçâmedes, entre a UTIP - Unidade Técnica para o Investimento Privado e as investidoras russas Rail Standard Service e Fortland Consulting Company.
Com a conclusão aprazada para cerca de três anos, o projecto está avaliado em 12 mil milhões de dólares.

Unidade Técnica para o Investimento Privado e investidores externos lançaram a primeira pedra da obra em Moçâmedes
Fotografia: Afonso Costa | Moçâmedes | Edições Novembro

A implantação no Namibe da refinaria petroquímica vai propiciar o abastecimento eficaz do mercado interno, substituição das importações, bem como aumentar a capacidade de refinação de petróleo bruto e promover a indústria petroquímica, de entre outras mais-valias.
À luz do contrato de investimento celebrado entre a UTIP e as investidoras externas, a Unidade Técnica para o Investimento Privado, na qualidade de representante do Estado, vai prestar o apoio institucional necessário, através de mecanismos de apoio e acompanhamento em articulação com os demais órgãos do Estado intervenientes em matéria do investimento privado.
O director de Refinação Petroquímica e Biocombustíveis, em representação do Ministério dos Petróleos, disse sentir-se "mais honrado" por se tratar de um projecto ligado à sua área. Fez saber que Angola, na região austral de África, é o maior produtor de petróleo bruto. Delfino Monteiro considerou "muito pequena" a indústria angolana de refinação, numa altura em que a refinaria de Luanda, a única existente no país, satisfaz apenas 20 por cento das necessidades do consumo interno.
Por esta razão, o Estado angolano gasta somas avultadas na aquisição de produtos refinados para colmatar o vago existente na produção interna. Dados da Sonangol, fornecidos no ano passado, davam conta de um custo  mensal de 170 milhões de dólares em combustíveis refinados para cobrir as necessidades internas.
Delfino da Graça Monteiro sustentou que o surgimento desse tipo de projecto "é sempre bem-vindo", porque além de se fazer a poupança das divisas que o Estado gasta, também vai criar sinergias na região sul do país, proporcionando mão-de-obra tanto na fase de construção como na de operação. O projecto vai favorecer o conteúdo local e as empresas locais e da região circundante vão ter a oportunidade de fornecer bens e serviços à futura refinaria.
“Nós esperamos que esta cerimónia tenha continuidade, para  dentro em breve voltarmos para lançar a primeira pedra  para a construção e, posteriormente, vermos a refinaria inaugurada, para o bem de todos”, disse.

Projecto ímpar

O representante da empresa investidora russa “Fortland Consulting Company,” Anatoly Kazlov, disse que o caminho para a execução do projecto foi muito bom e complicado, Foi um grande negócio discutido há mais de dois anos. Estamos na etapa da celebração do contrato, e acredito que o projecto está bastante avançado e num nível muito alto".
Anatoly Kazlov salientou que são poucos os países do mundo que desfrutam ou têm uma indústria “tão avançada". O investidor garante que um projecto de tão grande dimensão vai contribuir para o desenvolvimento de Angola e o consequente aumento da qualidade de vida das suas populações. “A implementação do projecto proporciona milhares de postos de trabalhos para os angolanos.”
Anatoly Kazlov revelou que o projecto vai  proporcionar formação aos jovens em profissões tecnológicas em engenharia e várias outras.
Sergey Lipatov, da outra investidora russa, a Rail Standard Service, disse que, para a Rússia, Angola não é simplesmente um país de África, mas é um país amigo.
 O director da Unidade Técnica para o Investimento Privado (UTIP) disse que o Presidente da República percebeu a importância de que se reveste o projecto “quase que inigualável no mundo, um verdadeiro projecto para a economia angolana e africana”.  Para o Norberto Garcia, o investimento privado transforma a vida das pessoas, cria valor acrescentado, traz efectivamente resultados satisfatórios para a vida económica das pessoas.
O governador da província, Carlos da Rocha Cruz, considerou que o aparecimento da refinaria no Namibe  acontece num momento "particularmente difícil" para a economia do país, várias mudanças se vão operar na vida das comunidades.  O governador garantiu apoio para o sucesso do projecto, numa região com infra-estruturas suficientes no domínio dos transportes para dar suporte ao empreendimento.
 Carlos da Rocha Cruz disse que a implantação do  projecto na província confirma a existência de grandes potencialidades capazes de contribuir para o desenvolvimento do país:
“O empreendimento garante a criação de sete mil postos de trabalho directos e 12 mil indirectos”, disse o governador do Namibe, que lançou um repto ao empresariado e à juventude local para aproveitarem ao máximo a “grandiosa oportunidade” que o Executivo põe à sua disposição.

Tempo

Multimédia