Novos incentivos impulsionam a produção

Estácio Camassete | Huambo
19 de Março, 2017

Fotografia: Edições Novembro

A situação dos camponeses e de todos os trabalhadores da terra vai melhorar nos próximos tempos, com a formulação de mais políticas que visam o aumento e a melhoria dos níveis de produção e tornar Angola auto-suficiente em alimentos.

A garantia foi dada ontem, na cidade do Huambo, pelo ministro da Agricultura no final de uma visita de dois dias à província.
O ministro Marcos Nhunga reconheceu que a região tem uma população trabalhadora e produtora de milho, feijão, batata, soja e muito mais, que hoje são escoados para diferentes pontos do país, contribuindo desta forma para a segurança alimentar no país.
O ministro prometeu tomar decisões adiantadas para preparar antecipadamente a próxima campanha agrícola, a partir dos meses de Junho ou Julho e mobilizar os imputs agrícolas mais cedo, de forma que o camponês receba os meios antes do início das chuvas e lance também as sementes mais cedo.
Com este programa, o ministro acredita que as próximas campanhas agrícolas vão ser muito melhor organizadas, com perspectivas de melhores colheitas no final de cada período de produção e, em caso de prolongação da estiagem, garante que o Executivo vai tomar medidas adicionais para salvar a produção.
O ministro da Agricultura disse que o actual esquema de comercialização de produtos do campo em prática no país envolve muitos intermediários e penaliza o camponês.  Defende que o comprador para adquirir os produtos deve ir directamente ao camponês ou ao produtor e adquirir o que precisa para evitar a burocracia e a onerosidade neste processo.
Marcos Nhunga incentivou os camponeses a aumentarem a produção agrícola, apesar de a região registar nos últimos meses um período sem chuvas, uma situação que pode perigar as culturas plantadas a partir de Novembro.
“A estiagem é obra da natureza e não temos como lutar contra ela, queremos que as chuvas voltem a bater-se sobre esta região para recuperar o milho, feijão, mandioca, soja e batata cultivados nesta época agrícola, com vista a superar os feitos desta estiagem, uma vez que as famílias camponesas continuam engajadas”, referiu. O ministro visitou muitas fazendas com mais de 1.500 hectares, com milho, feijão, batata e soja, “o que demonstra que a campanha deveria correr muito bem se não fosse o problema das chuvas que não caíram com regularidade.”
O governador do Huambo, João Baptista Kussumua, presente na conferência de imprensa no final da visita do ministro, disse que a província do Huambo é essencialmente agrícola e prometeu que as autoridades vão continuar o seu engajamento na restauração da capacidade agrícola, pecuária, industrial e comercial da província.
“Se tivermos os meios de escoamento de produtos, a comercialização, as estradas e a indústria transformadora, esta cadeia de diferentes sectores bem articulados, é melhor caminho para o rendimento dos agricultores, para que o trabalho dos camponeses seja bem sucedido, mais utilizado e valorizado.”
João Baptista Kussumua defende igualmente a entrada antecipada dos meios agrícolas na província, porque no Huambo a actividade tem início nos meses de Setembro.
“A falta de chuva continua a ser tratada como reacção da natureza, em função da desflorestação que acontece na província e, por isso, visitámos algumas zonas afectadas com o abate das árvores, constatámos o repovoamento das florestas, mas uma coisa é olhar a uma cobertura florestal de há anos e outra coisa é colocar uma planta com poucos centímetros. A produtividade ambiental que pode emitir para atmosfera não é igual a dos eucaliptos grandes”, asseverou o governador.

Fim da estiagem
   
Os camponeses do Huambo prometeram recuperar o tempo perdido durante os longos dias de estiagem que assolou a região do planalto central.
António Lucas, pequeno agricultor da localidade da Calenga, município da Caála, disse que perdeu metade das suas culturas de milho, feijão, repolho e muito mais, devido ao longo período de estiagem que a província viveu.
Satisfeito com o regresso das chuvas, António Lucas afirmou que vai impulsionar a sua actividade e recuperar o tempo perdido na segunda época, plantando culturas, como repolho, cenoura e outros produtos hortícolas, que se adaptam a este período. O lavrador mostrou-se satisfeito com as promessas do ministro da Agricultura e do Desenvolvimento Rural.
João Baptista, outro camponês e produtor de milho, afirmou que perdeu cinco hectares, pouco depois de adubar a área, devido à ausência da chuva. Na província do Huambo, a seca durou pouco mais de dois meses e afectou mais de 200 mil famílias.
Durante a sua estada na província do Huambo, ministro da Agricultura visitou projectos agrícolas do Atuco, na comuna da Chipipa, no município-sede, o projecto Kwendi, na comuna do Sambo, município da Chicala Choloanga, o projecto de produção florestal e viveiros e a fábrica de fuba Ossema Yeto, igualmente no município do Huambo.

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