Economia

Novos cortes à vista para equilibrar preço

Autoridades da Líbia e da Nigéria podem participar numa reunião conjunta entre países-membros e não membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), no fim deste mês, num momento em que produtores de petróleo pretendem limitar o aumento da injecção, para sustentar os preços da matéria-prima.

Nígéria e Líbia elevam a produção de petróleo depois de serem excluídos do acordo
Fotografia: Gent Shkullaku | AFP

Os dois países têm elevado a produção desde que foram excluídos de um acordo liderado pela OPEP para reduzir a oferta, o que pesa sobre os preços globais. A situação levou a mais conversações entre os produtores, para incluí-los no pacto. “Falámos com Mohamad Barkindo - o secretário-geral da OPEP - e nas próximas semanas acontecerão conversações com a Líbia e Nigéria e, possivelmente, vamos convidá-los para a nossa reunião técnica”, disse o ministro de Energia da Rússia, Alexander Novak, nos bastidores de um evento do sector em Istambul. Seis ministros de países membros e não membros da OPEP, incluindo o Koweit, Venezuela, Argélia, Arábia Saudita, Rússia e Omã, encontram-se a 24 de Julho, em São Petersburgo, na Rússia, para discutir a actual situação do mercado de petróleo.
O ministro do Petróleo da Nigéria, Emmanuel Ibe Kachikwu, foi convidado para a reunião, mas não vai participar, devido a outro compromisso, disse  o ministro de Petróleo do Koweitt, Essam al-Marzouq, que esteve no mesmo evento em Istambul.
Em vez disso, o grupo provavelmente vai pedir a um comité técnico que encontre representantes nigerianos e libaneses para discutir os seus planos de produção. O comité, que envolve os seis países membros e os não membros da OPEP, deve reunir-se antes de os ministros realizarem as conversações.
“Nós estendemos o convite, mas, infelizmente, o ministro do Petróleo da Nigéria tem um compromisso prévio”, disse o ministro do Kuwait. “Nós não falamos sobre um teto. Pelo menos, conseguimos falar sobre planos de produção agora”, acrescentou.
O painel de monitorização, o chamado Comité de Monitorização Conjunto Interministerial, liderado pelo Koweit, pode recomendar a expansão do pacto na reunião de um grupo mais amplo, que tem a sua próxima reunião em Novembro. A Nigéria e Líbia ficaram inicialmente de fora dos cortes de oferta acertados entre a OPEP e outros países, como a Rússia, porque tiveram a produção limitada nos últimos anos, devido a conflitos.

Queda do preço

O Goldman Sachs avaliou que o petróleo deve cair para abaixo de 40 dólares, caso a OPEP não adopte já um corte forte na produção dos países membros e se os investidores não obterem uma direcção clara, que os leve a retomar a compra da matéria-prima.
O banco de investimento acredita que os preços do petróleo só não vão diminuir quando os comerciantes e compradores identificarem, pelo menos, uma das duas coisas: uma intervenção adicional da OPEP, ou uma queda consistente nas reservas de petróleo bruto dos EUA e no número de plataformas que operam nos campos americanos.
“O fracasso dessas mudanças deve levar em breve a impulsionar o preço para abaixo de 40 dólares o barril, à medida que o mercado perceber a não reacção da OPEP e do "shale" americano”, escreveram analistas do Goldman numa nota de pesquisa, assegurando que “é importante ressaltar, que não esperamos que essa mudança seja volátil, pois, não é impulsionada por preocupações de armazenamento, como no ano passado (...), mas na busca contínua por um novo equilíbrio”.
Na semana passada, o banco reviu o seu objectivo de preço de três meses em petróleo bruto de 47,50 dólares, abaixo de uma previsão anterior de 55 dólares o barril.

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