Economia

Oferta angolana inviabiliza Nestlé no Congo Democrático

A venda de produtos da Nestlé fabricados em Angola a preços mais baixos levou ao encerramento da sede e da fábrica que a companhia de lacticínios detém na República Democrática do Congo (RDC), noticiou sexta-feira a imprensa daquele país.

Fábrica da Nestlé inaugurada em Luanda em Agosto de 2012 produz a preços inferiores que os da que a companhia tinha instalada em Kinshasa
Fotografia: Maria Augusta | Edições Novembro

Em comunicado lido depois de uma reunião com os responsáveis da empresa, Erkan Kodak, director da Nestlé Congo, afirmou que os produtos da Nestlé que atravessam a fronteira com a RDC são vendidos a preços mais baixos, o que inviabilizou a operação congolesa da companhia de lacticínios.
“A operação não estava a correr bem. Com a crise em Angola, os produtos Nestlé que atravessavam a fronteira eram mais baratos que aqueles que produzimos na RDC”, explicou Erkan Kodak.
O director da Nestlé na RDC notou que, nem mesmo uma redução de pessoal decidida pela companhia pôde evitar o encerramento total da operação congolesa, algo que não estava nos planos da companhia.
“À medida que a Nestlé cresce em África, precisamos de garantir que a empresa permanece tão flexível e adaptável quanto possível. A nossa prioridade é oferecer produtos acessíveis aos consumidores. Por isso, decidimos encerrar a fábrica e sede na RDC e desenvolver um modelo de vendas baseado em canais de distribuição externos”, lê-se no comunicado.
O encerramento foi aprazado para o final de Janeiro, mas os trabalhadores da Nestlé congolesa já foram dispensados com anúncio do fecho. “As contas de e-mail e acesso às instalações foram imediatamente desactivadas”, indicou.

Perdas pesadas

A subsidiária congolesa do gigante suíço iniciou as operações em 2009, mas a fábrica arrancou em 2012, depois de um investimento de 15 milhões de francos suíços (2,8 mil milhões de kwanzas) para a produção de cubos de caldo Maggi e leite de Nido embalado em saquetas, ao passo o resto da gama Nestlé distribuída na RDC (Nescafé, Nesquik e produtos infantis) era importada.
“Estamos a mudar a forma de operar, mas não nos estamos a despedir: os consumidores encontrarão a mesma linha de produtos e continuaremos activos no mercado congolês, contribuindo para o crescimento do país”, declararam os serviços de comunicação da empresa num email citado pela revista “Jeune Afrique”.
A companhia declara estar “consciente” do momento difícil para os funcionários e estar empenhada em oferecer compensações mais elevadas que as previstas na legislação laboral congolesa. “As negociações sobre os termos para a partida ainda estão em andamento”, disse Erkan Kodak.
Em 2010, a empresa anunciou um programa de investimentos de quase mil milhões de euros (cerca de 186,4 mil milhões de kwanzas) ao longo de três anos no continente africano, mas foi mais cautelosa em 2015, depois de um recorde de vendas decepcionantes.
Com um volume de negócios de 1.811 milhões de francos suíços (315 mil milhões de kwanzas) na África Subsaariana em 2016, a companhia helvética registou uma queda de 81 milhões de francos suíços (mais de 14 mil milhões de kwanzas) entre 2015 e 2016.
Embargo a Angola
Em Agosto, o ministro do Comércio da RDC, Jean-Lucien Busa, proibiu a importação de cimento, açúcar, cerveja e refrigerantes, produtos do cabaz das exportações empresariais e em grande parte informais de Angola para aquele país.
Jean-Lucien Busa justificou a decisão com a necessidade de se “pôr fim a fraude e ao contrabando” e de proteger a indústria local do risco de ser absorvida por comerciantes que cobram preços abaixo dos custos de produção, rejeitando a tese de o país estar a “adoptar o proteccionismo.”
Na região do sudoeste da RDC, na fronteira com Angola, um mercado próspero atrai pequenos comerciantes que os compram a preços “extremamente baixos”, os quais o ministro do Comércio da RDC acreditava que “não pagam direitos, nem impostos” e constituírem  uma ameaça para a economia congolesa.

Macon aumenta frota e lança rota para conquistar a Namíbia

A empresa de transportes rodoviários Macon lançou, sexta-feira, em Luanda, 101 novos autocarros que elevam a frota para 700 e permitem projectar novas rotas, as quais incluem a capital da Namíbia, Windhoek.
Com uma operação de 15 anos no mercado e ligações a 15 províncias - excluem as três do Leste devido à precariedade das estradas - a Macon empregou 19 milhões de dólares (3.168 milhões de kwanzas) na aquisição dos autocarros, importados do Brasil e da China, anunciou no acto de apresentação o director-geral da empresa.
Luís Máquina disse que, depois da companhia se ter implantado no país, com o transporte urbano e inter-provincial de passageiros e carga, a companhia pretende agora consolidar a sua oferta com o aumento do conforto e segurança, o que explica a nova aquisição.
A aquisição também se justifica pela expectativa de aumento da procura ao longo da quadra festiva, quando a Macon, que reclama para si um mercado de 600 mil passageiros por ano, espera atender dez mil por dia no segmento inter-provincial.
Este ano, a Macon expande as operações em Luanda, com a abertura de um terminal no Kilamba este mês, anunciou o director-geral.
Luís Máquina disse que no primeiro trimestre de 2018, a Macon inicia a operação entre Luanda, Santa Clara e Windhoek, depois de ter conquistado o Congo Brazzavile e a RDC.
A companhia estuda uma solução para a questão do câmbio e da moeda de aquisição dos bilhetes de passagem, com tendência para que sejam feitas na moeda do país em que inicia a viagem.
Kátia Ramos

 

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