Economia

ONU anuncia crescimento do PIB de Angola em 2018

Armando Estrela |

O relatório das Nações Unidas sobre a Situação Mundial e Perspectivas Económicas (WESP), divulgado na segunda-feira em Nova Iorque, indica que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de Angola fica este ano em 1,9 por cento, no próximo sobe para 2,7 por cento e deve manter-se estável até 2019.

No conjunto dos países da Comunidade de Língua Portuguesa (CPLP), Timor-Leste e São Tomé e Príncipe são os países com boas perspectivas de crescimento do PIB, tanto este ano como nos próximos dois anos. O PIB de Timor Leste deve crescer este ano 5,1 por cento, enquanto em 2018 sobe para 5,5 por cento e em 2019 para 5,8 por cento. O PIB de São Tomé e Príncipe fica este ano em 5,0 por cento e 5,3 por cento no próximo e em 2019.
A Guiné-Bissau é outro estado da CPLP que deve verificar bons indicadores no seu PIB, sendo de 5,4 por cento este ano, 4,8 por cento em 2018 e 5,1 por cento em 2019. Nas perspectivas económicas da ONU, melhor que Angola estão também Moçambique e Cabo verde, que devem ver o seu PIB crescer, quase que de forma estável, em torno dos 4,0 por cento até 2019.
Pior que Angola fica o crescimento do PIB do Brasil (0,7 por cento este ano, 2,0 por cento em 2018 e 2,5 por cento em 2019), de Portugal (1,6 por cento este ano, 1,4 por cento em 2018 e 1,2 por cento em 2019) e da Guiné Equatorial (menos 5,9 por cento em 2017, menos 5,9 por cento em 2018 e menos 3,6 por cento em 2019).

Decisores devem apostar
O relatório das Nações Unidas sobre a Situação Mundial e Perspectivas Económicas (WESP) diz que o crescimento global de 3,00 por cento, o maior desde 2011, deve fazer os decisores políticos apostarem em temas de longo prazo.
“Uma melhoria na economia global, agora a crescer 3,00 por cento, permite uma reorientação política para temas de longo prazo, como as mudanças climáticas, as desigualdades existentes e a remoção de obstáculos institucionais ao desenvolvimento”, lê-se no relatório económico mais importante da Organização das Nações Unidas.
Comentando o documento, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, disse que o relatório “demonstra que as condições macroeconómicas actuais oferecem aos decisores políticos uma folga maior, para lidarem com a raiz dos problemas que continuam a limitar o progresso sobre os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável”.
O relatório dá conta de que as melhorias económicas são globais, “com cerca de dois terços dos países a terem um crescimento maior em 2017 do que no ano anterior”, o que faz a economia mundial expandir-se 3,00 por cento nos próximos dois anos.
“A recente retoma no crescimento mundial emana, principalmente, do firme crescimento em várias economias desenvolvidas, apesar de a Ásia Ocidental e do Sul continuarem a ser as regiões mais dinâmicas, tendo representado quase dois terços do crescimento mundial no ano passado, com a China a contribuir com quase metade”, explica o documento.
Apesar das boas notícias, “a economia global continua a enfrentar riscos, incluindo as mudanças na política comercial, uma súbita deterioração nas condições financeiras globais e o aumento das tensões geopolíticas”. />Sobre os riscos de longo prazo, o relatório elaborado pelo Departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e as cinco comissões regionais salienta as quatro áreas que podem beneficiar da melhoria das condições económicas.
O texto refere a necessidade de “aumentar a diversificação económica, reduzir as desigualdades, apoiar o investimento a longo prazo e abordar as deficiências institucionais”, e salienta que “reorientar as políticas para lidar com estes desafios pode gerar um investimento e produtividade mais fortes, mais criação de emprego e um crescimento económico de médio prazo mais sustentável”.

                                                          Reserva Federal mexe nas taxas de juro
 A Reserva Federal (Fed), o banco central norte-americano, deve anunciar hoje uma subida das taxas de juro, durante a sua última sessão de Política Monetária para 2017, que decorre desde ontem.
Os bons números relativos ao emprego no mês de Novembro, publicados na sexta-feira, alimentam a hipótese de uma subida, já antecipada pelos mercados desde há algum tempo. No mês passado, foram registadas 228 mil novas contratações, acima das 190 mil previstas pelos analistas, ficando a taxa de desemprego em 4,1 por cento, o nível mais baixo em quase 17 anos.
“Este relatório sobre o emprego, mesmo com um aumento modesto dos salários (mais 0,2 por cento) é suficiente para convencer o Comité de Política Monetária da Reserva Federal a subir as taxas”, considerou o economista Joel Naroff, citado pela agência de notícias AFP.
Com a esperada subida das taxas de juro directoras em um quarto de ponto percentual, o terceiro aumento no decurso de 2017, o custo do dólar fica entre 1,25 por cento e 1,5 por cento, um nível considerado moderado.
A Reserva Federal deve continuar a sua estratégia de um aumento progressivo das taxas de juro defendida pela presidente da instituição, Janet Yellen, que tem assegurado que, apesar da inflação estar abaixo da meta de dois por cento, essa situação é provisória. Esta reunião é a penúltima com a presença de Janet Yellen, que deixa a Reserva Federal em Fevereiro, sendo substituída por Jerome Powell, nomeado pelo presidente Donald Trump para liderar o banco central norte-americano e já confirmado no cargo pelo Senado. Após a decisão sobre as taxas de juro, Janet Yellen, que foi a primeira mulher a liderar o poderoso banco central dos Estados Unidos, dará uma conferência de imprensa, que deve ser a última, dado que após a reunião de Janeiro não estão previstas declarações aos jornalistas, fora da divulgação habitual de um comunicado.

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